12 de setembro de 2011

O HÁBITO DE LER

Lorenzo Mattotti


- Tais Luso de Carvalho


Sou de uma geração que curtiu muito os gibis; aprendemos a ler com os gibis, e era com ansiedade que íamos às bancas de revista comprar as novidades do mês. E a troca de gibis entre os amiguinhos era estimulante. Depois, se aprimorava o gosto com vários livros. Mas, estávamos criando o hábito da leitura. A criança precisa de ajuda e de estímulo para essa iniciação. E também na adolescência.

Lembro que na adolescência, tanto eu como minhas colegas de aula, perdemos um pouco desse hábito devido aos livros que a Escola oferecia como padrão: não queríamos os clássicos brasileiros; não queríamos ler por obrigação para fazermos uma resenha. Queríamos a liberdade de escolha, e que nos foi negado. Acredito que isso desestimulou um pouco a nós todos. Há que se respeitar o gosto de cada um, e, à escola, cabe analisar as preferências de seus alunos. O mesmo livro para todos os alunos? Foi um desastre; uns perguntavam aos outros a história - e a resenha estava feita! Ninguém aceitava uma leitura imposta.

Lembro que muitas de nós queríamos ler algo mais moderno, coisas da nossa época, para nosso momento. Lembro que me revoltei com isso e levei pra aula (colégio de freiras)  O Muro, de Sartre. Levei o livro para o recreio e caminhava pra lá e pra cá, meio que provocando... Era uma atitude pra encher o saco das freiras. Mas, em pouco tempo fui parar na sala da Madre Superiora, e meus pais foram chamados à escola:

- Sua filha está muito rebelde, está dando mal exemplo aos colegas!

Foi nesta época que houve um desinteresse da parte de muitos alunos; não tínhamos opção, não tínhamos tempo de ler outras coisas, uma vez que a leitura dos clássicos brasileiros, obrigatórios, tinha prazo para a entrega do trabalho. Para tudo existe uma idade certa, era só ter esperado o amadurecimento dos alunos.  

A escola é a mola mestra; é nela que depositamos esperanças e mudanças. E cabe aos pais ajudar a incutir o hábito nas cabecinhas em formação; manter o elo, dar continuidade, estimular. Não impor! 

Se ficarmos pensando que somos um país em desenvolvimento, que os livros são caros, que o analfabetismo é enorme, que as crianças não são estimuladas à leitura, que as famílias têm outras prioridades, bem... então nada mais a fazer. É deixar como está pra ver como é que fica.

E vai piorar, uma vez que a educação é primordial para o desenvolvimento e a educação de um povo.  Quanto mais esclarecimentos,  mais qualificados seremos, mais oportunidades de trabalho, e consequentemente seremos mais felizes, aptos a cuidar mais de nossa saúde e de nossas famílias. 

É lendo que se aprende, que se cresce, que se conquista; que saímos da ignorância para um mundo mais aberto e de mais qualidade. O povo, através de sua cultura, de sua história, de sua economia é que pode fazer uma nação forte.

Certa vez ganhei um bambolê... Meu pai não gostava daquele negócio e me propôs uma troca: 'vamos numa livraria e você escolhe os livros que quiser, mas largue esta geringonça'.  E aceitei a proposta. Comprei vários livros.

Apesar das leituras na Escola não terem sido do meu gosto,  retomei o hábito da leitura por várias circunstâncias: tive um ótimo exemplo em casa e uma biblioteca muito boa. A convivência com livros sempre foi muito próxima.

Sei que formar este hábito é difícil, ainda mais com a tecnologia de hoje, onde as redes sociais da Internet dominam muitas cabeças. Por outro lado,  vemos o trabalho de Órgãos do Governo e outros com apoio da iniciativa privada, incentivando as artes, literatura e literatura infantil. 

Um país que incentiva a cultura, que cuida de suas crianças formará adultos mais capazes e mais felizes.

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Este texto está, também, no blog do amigo Cacá e outros sites e blogs da web.


26 comentários:

  1. Oi Taís, vivi uma situação semelhante a que você relatou. Também aprendi a gostar de ler através dos gibis, na sua maioria emprestados. Depois passei pela cruel sentença da obrigatoriedade dos autores clássicos na escola. Uma lástima saber que, até hoje, alguns educadores insistem em achar que é dessa forma que se cria o hábito da leitura, ledo engano! Sabe-se que obras de difícil interpretação e vocabulário exaustivo não são adequados para quem ainda não tem o hábito de ler. A minha sorte foi que, na época, uma irmã mais velha que eu era apaixonada por livros e lia romances cujas histórias prendiam a atenção e assim também fui aprendendo a seguir por esse caminho. Insisto apenas que a leitura de autores clássicos é importantíssimo, mas para tudo existe um tempo e uma idade apropriada, é isso que as escolas precisam lembrar.

    Beijos

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  2. Tais,
    Sou leitor compulsivo, por isso, tudo que refere a livros eu gosto. Também iniciei minhas leituras pelos gibis, mas, diferente de você, tive estímulo de minha professora de português para "cair dentro" dos livros. Comecei por Monteiro Lobato e daí para frente nunca mais parei. Leio quase tudo, menos livro de auto-ajuda e Paulo Coelho. Abraços, e parabéns pela belíssima crônica, JAIR.

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  3. Taís,
    essa crônica me toca de um modo especial.
    Eu tive a oportunidade de ler desde a infância, meu pai tinha uma bela biblioteca em casa, éramos, na época quatro irmãos e faltou quarto para mim. Resultado: fui morar na biblioteca, dormia no sofá cama cercado de centenas de obras literárias, clássicos, enciclopédias,
    romances... Mas os livros indicados pela escola, para trabalhos. Hummmm, esses em geral eu não lia, sempre detestei imposições quanto ao gosto, etc.
    Saiu caro, mas valeu a pena. Afinal tudo que é bom custa mais caro!!
    Um abraço de todos do atelier

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  4. O aprendizado vem pelo exemplo, pelo estímulo - mas comigo aconteceu diferente...apesar de meu pai gostar muito de ler, ainda acho que meu prazer e hábito se deu por conta própria, e pelo fato de passar longos períodos no campo, em férias (as noites eram enooooormes, eu as preenchia com leitura).

    Tb sou louca por gibis até hj, e acho que a criança precisa gostar, ter interesse pessoas pelo tema/assunto. Eu já comprei livrinhos de história pra meu neto (de um ano e meio) que adora ver as imagens enquanto contamos a historinha. gosto dos DVD's com música e tudo mais, mas não acredito só nesse universo infantil - tanto que estou montando em casa uma brincoteca pra criançada...e eles vão me ver sempre com muitos livros por perto!!

    O importante é não desistir, como vc bem colocou...as escolas precisam se adequar às crianças, sim.

    Ficam meu beijo e aplausos pelo tema!

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  5. Tais, obrigada por tua presença no meu Blog.Adoro ler tuas crônicas. São tão pés no chão e ao mesmo tempo me levam a tantas lembranças inesquecíveis.Lá em casa sempre fomos da leitura.Talvez pelo exemplo da minha mãe e de minha avó.Minha mãe aos 85 anos ainda lia antes de dormir.Um mês antes de falecer passou uns dias comigo e dei um livro da Zélia Gatai que leu com vontade, um pouco cada noite.Eu jamais abandonei este habito de ler. Passei por colégio de freiras situações semelhantes a tua.Além de linda a tua crônica é também, um alerta as escolas sobre a necessidade de liberdade individual das escolhas do material de leitura.Que a tua semana seja encantada e recheada de inspiração. Bjs Eloah

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  6. Oi Tais,

    Passei por isso também na minha adolescência e me "salvei" porque a leitura virou parte de mim. Não consigo "não ler", é um vício!

    Mas ainda assim, mesmo com uma biblioteca razoável em casa, mesmo incentivando muito, tenho muita dificuldade com meus filhos. Eles ainda lêem por obrigação. Afinal, a concorrência eletrônica hoje é arrasadora!

    Uma pena! Eu não desanimo!

    Beijos

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  7. Claro que estou de acordo....eu por
    mim, faço todos os dias um mínimo de uma hora de leitura....não de romances ou clássicos,,,,mas leitura que sei que faz falta a vários níveis...Gostava de ler mais...mas....
    assim está bem...
    Beijo

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  8. Eu também comecei lendo Zorro, Capitão América, Fantasma, Tek, Luluzinha e Bolinha, Riquinho, a turma toda da Disney e só depois comecei com os livros obrigatórios da escola. Daí pra frente não parei mais. E hoje vejo alegremente que minhas duas filhas gostam de ler. Herança genética eu não acredito que seja, acho que é mesmo o exemplo, pois as mães delas também gostavam.

    Como dizia o nosso grande Quintana, "o pior analfabeto é o que aprende a ler e não lê.

    Aplausos, Tais. paz e bem.

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  9. A leitura é para mim o aminho m ais curto de percorrer longas estradas.

    Ler é uma delícia; na correria de Porto Alegre quando trabalhava eu sempre tinha um livro na bolsa lembro-me que nas épocas das filas intermináveis eu aproveitava e quase nem sentia o tempo passar.

    Hoje continuo lendo; e incentivo a leitura dos familiares principalmente os jovens; e os resultados são sempre animadores.

    Não gosto de bibliotecas virtuais; a tecnologia não permite rabiscar; voltar;... prefiro livros no papel.

    Bjão amiga e linda primavera para você!

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  10. Taís!
    Que boa lembrança, os gibis... A gente colecionava e trocava Luluzinha e Bolinha, O Capitão Marvel, Mandrake, Super Homem e muitos outros... Depois, já na adolescência eram as revistas Sétimo Céu, Grande Hotel, entre outras revistas de fotonovelas e também tinha os romances de M. Dely, Editor Mex (rssss).
    Mas eu tomei gosto pela leitura mesmo, foi quando comecei a ler Agatha Christie e Leon Tolstoi (adquiri um gosto bem eclético - rsss).
    Vou parar por aqui, pois tem muita história.
    Bjs.

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  11. Tais, adorei seu texto! Gosto muito de falar sobre a leitura, de questionar os fatores, ou a motivação, que nos transforma em leitores apaixonados ou o extremo oposto.

    Percebo que meu caso difere dos demais. Filha de pais agricultores, que não tiveram instrução secular, não convivi com uma biblioteca estruturada em casa, não cresci cercada de livros. Fui descobri-los na escola e me apaixonei por eles! Incentivada por meus pais, continuei os estudos, pois eles desejavam que eu tivesse a oportunidade que eles não tiveram, e nesse caminho sempre li muito. Não lembro de ter sofrido com as exigências da escola, de verdade. Para mim, a 'crise' veio na faculdade de Letras, quando eu fazia tantas literaturas (portuguesa, brasileira, norte-americana, inglesa, infanto-juvenil e tc) que acabei percebendo que no fundo eu pouco lia e muito analisava obras! Isso para mim foi chato, substituir o prazer da leitura pela obrigatoriedade de desconstruir clássicos em análises literária. Não me sobrava tempo para ler e realmente apreciar uma obra!

    Mas esse tempo passou, e voltei a ler igualmente o que gosto e o que preciso. Vejo meus filhos crescendo pelo mesmo caminho de amor aos livros, e espero que eles nunca se extraviem nesse quesito! Estou me empenhando para fazer bem a minha parte de mãe nesse sentido, estimulando e não impondo, e acompanhando de perto o trabalho da escola. Espero colher bons resultados!

    Beijão, minha querida Tais!

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  12. Olá Taís,sua crônica me levou ao meu tempo de adolescência,tive minha experiência de leitura com pilhas de gibis.Na minha época havia a presença do padeiro que com sua galhota deixava todas as manhãs o pão,o leiteiro a vasilha com o leite e,junto uma pilha de gibis,os quais eram por mim devorados e trocados rapidamente.Como professora,eu levei aos meus alunos a oportunidade para lerem o que quissessem dentro de uma lista enorme.Èramos obrigados a cobrar a leitura através da famosa ficha de leitura,que hoje,graças a Deus foi abolida.Viva a leitura,juntamente aos seus leitores. Um grande abraço!

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  13. Sou, também de uma geração que se liam as revistas, Gibi, O Guri e outras...
    A leitura deve ser incentivada e não ser algo que a criança se sinta na obrigação de fazer.
    Incentivar vai trazer a alegria e a vontade de ler Incentivar é dar a ela a leitura que lhe seja atraente e própria para a sua idade.
    É preciso criar o hábito da leitura.
    Um abraço.

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  14. Taís querida.
    Trabalhei com crianças 25 anos e pude sentir bem de perto aquela velha frase:faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço".Exemplo é tudo!
    Os alunos que não gostavam de ler tinham o exemplo em casa;falta de livros,pais que não gostavam e a concorrência com as novidades da mídia.Não consguiam dosar e era mais cômodo liberar computador,Ipod...
    Trabalhamos muito com Rodas Literárias e as crianças eram apaixonadas por livros.Passaram a conhecer as obras infantis escritas pelos autores famosos como:Graciliano Ramos (Terra dos Meninos Pelados)
    Jorge Amado( O gato malhado e a andorinha Sinhá),
    Clarice Lispector(A Mulher que matou os Peixes)entre outros.
    Tinhamos um projeto aqui em Salvador,no Colégio onde eu trabalhei, chamado de "Roda na Roça.As crianças recolhiam livros na comunidade e montávamos uma Feira de Livros, nas praças das cidades que visitávamos no interior da Bahia e as crianças ficavam encantadas. Aqui em casa minhas filhas sempre leram muito e fazia questão de presentear meu neto com um livro novo.
    Bill Gate diz:
    Meus filhos terão computadores sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.
    Amei a sua postagem, aliás, vc é uma ótima escriba e como professora "bato palmas para vc"
    Um abraço da amiga.
    Emilinha
    Emilinha

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  15. Amigos queridos, bato palmas pra voces sobre os belos comentários feitos sobre o hábito da leitura!

    Meu carinho a todos que por aqui passarem.

    Tais

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  16. Concordo com você. Muitas vezes a escola desestimula o aluno, ao invés de incentivar, com a leitura obrigatória. E também acho que o hábito de ler começa em casa. Quando os pais dão o exemplo, a coisa flui naturalmente.

    Ah...Fui alfabetizada com a Turma da Mônica! haha
    Ótimo fds Taís
    Deva

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  17. Sou desse tempo e também lia o que me obrigavam e o que queria. Ia na biblioteca e pegava os livros. Adorava gibi...gosto até hoje...rs.
    Uma delicia de cronica que me suscitou muitas lembranças.
    beijos

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  18. Eu também lia muito gibi, adorava a turma da Mônica. Eu fico preocupada com o destino de muitos jovens que não saem das redes de relacionamentos, que não sabem fazer o bom uso da internet. Quem serão os pensadores do futuro se está tudo pronto na internet? Eu estou fazendo a minha parte em relação ao meu filho, faço assinaturas de revistas, compro livros e além de incentivar também dou bom exemplo. A educação começa em casa, sem dúvida!Bjd, bom domingo!

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  19. Tais, que maravilha te achar! Vi seu texto lá no Cacá e te procurei. Estou deixando aqui o mesmo comentário que deixei lá. Abraços afetuosos.

    "Que texto delicioso, Tais!

    Na 3ª série, havia me apaixonado pelo livro "Meu pé de laranja lima" (chorei horrores e foi o primeiro livro que li na vida).

    Quase perdi o gosto pela leitura na 5ª série também. Obrigaram-me a ler Iracema. Eu simplesmente não consegui.

    Confesso um crime: quando estava no 1º ano do 2º grau, matava aula para ler os livros de Fernando Sabino. Li todos dele naquelas manhãs matadas. Achava a escola algo muito chato e me escondia na Biblioteca para ler, quase repeti de ano, mas foi muito bom para a formação literária que eu tenho hoje.

    Amo ver minha filha de oito anos, lendo um livro por semana na escola. Eles levam os alunos para a biblioteca e deixam eles escolherem. Assim é muito bom.

    Tais, obrigado por ter trazido tantas lembranças gostosas à minha mente: lembranças de minhas aventuras literárias.

    Abraços sempre afetuosos e parabéns ao Cacá por nos ter presenteado com seu texto".

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  20. Oi Taís , bela crônica parabéns. Você alem de escrever muito bem demostrou no final grande sabedoria, ouviu mais do que falou. Também temos uma boa aula nos comentários aqui postados. Parabéns a todos.

    Abraços

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  21. Antonio Miranda21:47

    Oi Taís , bela crônica parabéns. Você alem de escrever muito bem demostrou no final grande sabedoria, ouviu mais do que falou. Também temos uma boa aula nos comentários aqui postados. Parabéns a todos.

    Abraços

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  22. Entendo bem o que quis dizer com leitura por imposição, por isso, enquanto professora sempre tive um certo jogo de cintura... Pois passei a gostar de Machado de Assis depois de adulta, mas na adolescência eu tive que ler” Esaú e Jacó”e só achei na biblioteca primeira edição[foi de lascar!]
    O mundo tecnológico nos oferece oportunidades de leituras que podem além da Educação nos inteirar de muitos, mas muitos assuntos mesmo, mas por outro lado a informação rápida está parece que criando uma fobia e ninguém mais tem paciência para coisas demoradas, privando-se do prazer de uma boa leitura. Também me lembro das cartas que com sete anos escrevia para minha avó. Não tínhamos telefone, por isso era um tal de vir e ir correspondências o tempo todo...Adorava abrir as cartas de vovó e ler. Hoje num clic nos comunicamos com o mundo. Todo remédio tem um efeito colateral, que pode ou não ser grave.
    Esses dois lados colocados nessa crônica maravilhosa!
    Beijos!
    Izildinha

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  23. Olá Taís, gosto muito de ler tuas crônicas. Retratam cenas simples do cotidiano, porém com um olhar mais atento e profundo. Sobre o hábito de ler eu também sou meio compulsiva. Comecei lendo os livros da Biblioteca do Grupo Escolar Paso de Los Libres de Uruguaiana, onde cursei o Primário (tenho 57 anos). E u gostava tanto de ler e não tinha livros em casa, nem gibis nessa época, então fiz um cartão na Biblioteca e levava emprestado principalmente José de Alencar. Eu li toda a obra dele sentada embaixo de árvores no quintal da minha casa ou no quarto que dividia com minhas irmãs. Posteriormente, no Ginásio, minha irmã mais velha Tânia foi agraciada pelo bom desempenho escolar com duas coleções de livros 'Nosso Universo Maravilhoso" e "História da Humanidade", todos em capa dura e ilustrações - foi meu primeiro contato com Enciclopédias. Eu fiquei fascinada e lia muito. Minha mãe me procurava para auxiliá-la nas tarefas domésticas e eu escondida, às vezes no banheiro, com um dos livros na mão. Acho que eles provocavam em mim a mesma sensação viciante que hoje tem o computador, celular, iPad, etc para os jovens. Tenho dois filhos - 24 e 22 anos e eles também gostam de ler, mas o computador tem prioridade, claro. Parabéns pelo teu blog, sempre é um prazer navegar poe ele. Abraços, Norma Lima Jarenkow.

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  24. Nossa Taís, eu estou perplexa como que tua postagem, de anos atrás, bateu com a minha de anteontem! :O
    Eu também tive bastante gibis, minha irmã mais velha colecionou e tinha caixas e caixas deles e me doou.
    Eram todos da Turma da Mônica. Leitura rápida e prazerosa.
    Depois comecei a ter curiosidade em ler romances toscos de banca, hahahaha! Ai, não ria, eu lia aquelas tosquices, era meio que uma época de descoberta pré-adolescente e deixei de pegar os da minha irmã para comprar os meus próprios! #gentequevergonha.
    Mas isso não impediu que eu curtisse os clássicos, talvez porque eu tive opções e não imposições. Quando chegaram as recomendações, eu já conhecia grande parte e já estava habituada ao estilo clássico, mas sei que isso é uma exceção.
    Carai... Tu estudou em colégio de freiras???!!!!
    Guria, tu tem que escrever um livro sobre isso, colégio de freiras me remete a filmes que assisti. Deve ser muito doido... E tu também não era fraca né? Provocar as freiras com Sartre! huahuahuahuahaa!
    Concordo totalmente com tudo o que disse sobre a importância da leitura. Uma pessoa que não lê, falta-lhe o senso crítico, torna-se alienada e não cresce como pessoa.
    Penso que nós tivemos muita sorte pela família que fomos criadas, com uma vasta biblioteca, desde Mônica a Machado de Assis. rs.

    Nota: Só não entendi a bronca do teu pai com o bambolê.

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    1. Oi, MI, o caso do bambolê... rssss, é que ele era muito católico e não gostava do rebolado daquele brinquedo.
      Sim, eu provocava muito as freiras, eu sempre fui contestadora. Sartre era meu amigão! Não gostava de ler nas obrigadas, eu tinha de ter liberdade de escolha.
      beijão, querida.

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  25. Muito bom dia querida Tais..
    estive com um problema chamado virus srrs
    bah.. me ferrei ao baixar um programa.. nem na internet conectava mais..
    então.. os primos do pai ai da capital foram assim tb..
    gibis e mais gibis.. coleções e mais coleções.. e era maravilhoso realmente. lembro que era pequeno e ia a praia e lia sem parar..
    na escola tb era o que mais me atraia..
    tempos depois fui gostando das rimas da poesia que me fazem ser o que sou hj..
    li tudo que pude.. nunca fui muito fã de coisas estrangeiras.. sei que eles tem coisas maravilhosas.. mas nós aqui temos muita coisa boa.. muita gente sempre vangloria os de fora enquanto que os daqui terminam como eu.. com livros na biblioteca da cidade que mal são lidos..
    espero que um dia as coisas mudem..
    tb nunca gostei desta coisa de ser forçado a leitura..
    tudo tem que ser ao natural..
    muitos gostam de contos..
    outros tantos histórias.. e eu de poesias.. bjs e uma linda noite

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