13 de outubro de 2012

A POPULAÇÃO E OS PLANOS DE SAÚDE



(OFTALMOLOGISTA SOFRE A SÍNDROME DO SUS)

- por Pedro Luso de Carvalho

Anualmente consulto o oftalmologista. Há muitos anos, é sempre o mesmo. Na época em que tinha que aferir se as lentes dos meus óculos ainda estavam boas, soube que o médico encontrava-se no exterior. E que, por um ano, ficaria ausente do país. Então, marquei consulta com outro especialista. Mas não achei nada confortável consultar com um desconhecido.

O médico escolhido para a consulta tinha seu consultório instalado dentro de uma clínica oftalmológica, localizada num dos bairros nobres da cidade. Na recepção da clínica, fui atendido por uma elegante recepcionista. Ela pediu-me que aguardasse a chamada. Foi o que fiz.

Logo o meu nome foi pronunciado por uma delicada voz feminina. Entrei no consultório do médico desconhecido. Um homem alto fez sinal para que me sentasse. A cadeira era parte de uma peça única de duas cadeiras, uma frente à outra, tendo ao centro um suporte para a colocação do queixo.

O médico pediu-me para colocar o queixo no suporte. Em seguida, olhou os meus olhos, um de cada vez, através de uma lente luminosa. Depois, dirigiu-se à escrivaninha ao lado, onde escreveu alguma coisa num receituário. Entregou-me o papel e indicou-me a porta. Já no corredor, ouvi, pela primeira vez, a voz do oftalmologista: "o laboratório para os exames fica no andar de baixo!".

Saí do consultório, sem ir ao laboratório. Já acomodado no carro, e ainda espantado ante o atendimento do médico, concluí que a "síndrome do SUS" já havia atingido os usuários dos planos de saúde - para meu azar.




Pedro Luso de Carvalho
blog Panoroma
Gazeta do Direito
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25 comentários:

  1. PEDRO, pois é... Trouxe essa tua crônica pra cá pois fui testemunha 'ocular' desse fato. Nessa crise dos médicos em relação aos 'planos de saúde', podemos sentir, de longe, o que deve ser o SUS; e como está a situação do país com planos que não são nada 'baratinhos'. Se, com referência aos nossos planos a coisa está a 'meia boca' - que uns fazem que pagam e outros fazem que trabalham -, nós que não temos nada a ver com o reboliço, ficamos na linha de fogo - mal atendidos.
    Lembro que eu quis perguntar, ao tal médico, alguma coisa mas não houve espaço e nem vontade de ouvir. E saímos na maior decepção! Nunca tinha visto isso.
    Enquanto uma faxineira ganha 100 reais por uma faxina, os médicos ganham migalhas por uma consulta de saúde. Parece que uma casa limpa tem mais valor.
    Gente que estuda, se especializa e no final é isso: insatisfação da parte deles e insegurança da nossa. Será que continuaremos pagando muito caro por planos de saúde para sermos atendidos assim?
    Vergonhoso demais esse impasse.

    Beijinhos.

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  2. Limerique

    Então por tal fato vamos fazer jus
    Para que ao menos se faça uma luz
    Não existe dedicação
    Onde impera o cifrão
    O melhor exemplo o famigerado SUS.

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  3. Gostei da crônica! Mas confesso que tenho uma certa bronca do chamado Plano de saúde.
    Um grande abraço

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  4. Tais,

    Lamentável, mas não é "privilégio" de Pedro Luso o atendimento que lhe foi dispensado quando consultava o oftalmologista, o que endossa sua conclusão de que a "síndrome do SUS" chegou, sim, aos planos de saúde. Tenho também minhas experiências... o neurologista que me medicou sem sequer solicitar exames e, em meu retorno que durou 3 minutos, não me deu chances de explicar os efeitos que a medicação estava provocando em meu organismo! Não parasse por conta própria, trocando imediatamente de neurologista, teria criado um problema gravíssimo onde havia apenas uma sobrecarga de trabalho. Além desse, posso citar o excelente pediatra que atendia meus filhos, quando mudamos de cidade, mas tão excelente e cheio de compromissos acadêmicos que NUNCA tinha tempo para meus filhos quando eu realmente precisava dele! De que adiantou o brilhante currículo do médico, o plano de saúde nada baratinho, se tinha que recorrer a outros médicos na última hora pois o meu não estava disponível?! E segue a lista de reclamações... Entendemos bem suas queixas,a desvalorização é grande, mas como já foi salientado: que culpa temos nós população disso???

    Saúde, educação e segurança pública: difícil comentar sem vir à tona toda nossa indignação!

    Beijo, querida amiga, estamos unidas no mesmo desabafo!

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    1. SUZY, você nos ganhou! Nosso atendimento durou 8 minutos.
      Você fala que o neurologista não lhe pediu exames; três minutos você estava na rua. Mas para outros pedem o que não precisa: exames caríssimos que o plano não paga.

      Amiga, nunca esqueci do conselho de um cirurgião plástico, ético e capacitado:
      'Vocês, pacientes, têm de questionar, perguntar, não podem deixar tudo nas mãos dos médicos, não podem chegar a nós, humildes e vulneráveis!'
      Nunca esqueci desse conselho.

      O brasileiro tem de se conscientizar de que pagam pelos serviços, pagam para os profissionais, pagam para os planos. Exigir e fiscalizar é nossa obrigação.

      Grande beijo, amiga.

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  5. Yo gueto mucho de tu blog
    saludos

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  6. Uma pena,mas estamos nessa mesmo!!beijos,chica

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  7. Anônimo15:39

    Este tipo de médico se acha um SER SUPERIOR ou está na profissão errada e só descobriu agora... Ah, tu teve sorte em conseguir uma consulta pelo plano, pois algumas "estrelas" só atendem os planos médicos em determinados dias da semana. BOA SORTE PARA NÓS!

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  8. Já passei por várias histórias parecidas e agora ando sempre adiando uma nova consulta. Infelizmente é pura realidade, estamos sujeitos à arrogância desses profissionais.
    Bjs.

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  9. Oi Taís!
    Oi Pedro!
    É, salvo raríssimas exceções não existe mais diferença entre o SUS e os atendimentos com plano de saúde. É o sucateamento da saúde e nós ficamos a mêrce deste desmando. Um horror! Sem falar que hora marcada é pura ilusão.rsss
    Beijinhos e uma ótima semana!

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    1. Oi, VALÉRIA, pelo visto chegaremos lá... Seremos os novos pacientes do SUS!
      bjs, amiga. Bom tê-la aqui!

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  10. Estou rindo porque fui a um oftalmologista, também desconhecido, mas a receita está em minha bolsa há uns três meses. Ele me recebeu sorridente, falou sobre sua importante famíla, mostrou-me uma sala com diplomas e troféus de seus antepassados (kkk), colocou-me, depois, em uma cadeira semelhante... e me deu a receita. Será que viu a deficiência nos meus olhos? Como encontrou o grau? Não só os planos de saúde que assustam, mas os credenciados. Bjs.

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    1. Oi, MARILENE, veja a que ponto chegamos: sair de um médico desconfiados! Hoje, com todos expondo seus problemas nas redes sociais, ficamos encorajados para trazer muitas coisas que andam mal, à tona. Não estão paralisados clamando por melhores salários? Acho justo, tão justo como quando reclamamos de injeção de sopa ou café na veia... Que aumentem os recebimentos dos médicos, é justo!!
      Onde estão os cuidados com a população? Alguém é responsável por esses óbitos. Acho que todos os profissionais da saúde, como da educação etc e tal devem ser bem remunerados para que essa tipo de coisa não aconteça. Para que exista mais responsabilidade e vontade para lidar com coisas tão nobres. O que está acontecendo é que pulamos de médico em médico! Fica o constrangimento de ambas as partes. Ou será que não?

      beijos!

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  11. Esta frieza é o que compromete mais a saúde da população. Sinto isto também Tais, sem contar que agora é difícil se fazer uma consulta pelo horário marcado, quase sempre é por ordem de chegada.Ontem me antecipei e cheguei uma hora antes do tal horário,( a partir das catorze horas, horário de chegada marcado) porém outras pessoas pensaram da mesma forma que eu e, quando vi já haviam 6 pessoas esperando na minha frente. E mais pessoas continuaram a chegar.É quase impossível recebermos um atendimento de qualidade, com tantos pacientes para uma tarde só.Esta situação gera muita insegurança. Bjs. Taís.

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    1. LOURDINHA, estamos num caos, sim! E não sei como vai se desenrolar essa coisa. Mas que a presidente Dilma tem de dar uma 'olhadinha' como ficam os médicos, pacientes e 'planos de saúde' não há duvidas. Afinal, trabalhamos pra quê?? Para garantir o quê? Morrer na praia?

      Mas, olha, amiga, a gente cansa, mas temos de enfrentar essa guerra, afinal, o tiro de canhão atinge principalmente a nós, não só aos médicos. Somos a parte mais frágil da engrenagem.

      grande beijo.

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  12. Estamos no 'caos da saúde'.
    Comigo foi um ortopedista, o que confio estava de férias e só voltaria em um mês e eu precisava, estava co a coluna travada.
    Entrei na sala, ele não olhou para mim, apontou a cadeira e perguntou o que eu tinha.
    Eu delicadamente expliquei.
    Ele pegou o receituário e escreveu.
    Quando vi aquilo perguntei a ele, 'o senhor não vai pedir uma tomografia?'
    Ele falou:'não precisa, eu sei o que é.
    Eu que não fico quieta, perguntei se ele tinha olhos de raio x?
    Ele não me examinou.
    Meu marido já estava inquieto.
    E outra doutor, o senhor não vai perguntar se eu sou alérgica a algum medicamento.
    Ele ficou vermelho.
    Eu falei, ' o senhor nem precisa levantar daí, por que sabemos onde é a porta e eu não vou levar a receita, vou consultar um médico competente e saímos.
    Estamos diante de um caos da saúde mesmo.
    Um abraço e fique com Deus.

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    1. Oi, TERESA, mas é isso, enquanto uns pedem exames demais, outros pedem de menos. E outros pedem exames caríssimos que não precisa. Mandam fazer para tirar a dúvida, mas dizem que até 'não precisaria!'. Lembro dos médicos de antigamente, os médicos de família que conheciam nosso corpo e nossa alma. Tenho saudades de outros tempos... Há um vácuo, uma distância tão grande entre médicos e pacientes que ainda estranho.
      Deixo aqui pra vocês esse link, sobre os antigos médicos de família:

      http://taisluso.blogspot.com.br/2007/10/procura-se-um-mdico-de-famlia.html
      Grande beijo.

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  13. Voltei, depois de ausência forçada...
    Tenho os Blogs programados por muito tempo
    Beijo

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  14. Querida amiga

    Para nosso azar...

    Para nosso azar...

    Parece que o triunfo
    do capital sobre a vida,
    se faz cada vez
    mais presente
    no nosso dia a dia.

    Que a sua vida seja sempre
    um tributo a esperança.

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  15. Bom dia, Taís e Pedro,

    Já desisti de planos de saúde há muito tempo. É melhor poupar o dinheiro para gastos em saúde e pagar particular. E depois descontar no imposto de renda. Até porque muitos médicos nem aceitam planos de saúde! E olha que tenho duas filhas de oito anos! Um bom dia para vocês!

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    1. Nossa! E os exames, hospitais etc, Rovênia?
      Pedem um monte de exames, e muitos são caros demais. Meio arriscado, não?

      beijos, querida.

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  16. Querida amiga,que real a crônica sobre assunto sempre tão polêmico.Eu estou passando por algo parecido, pois nós professores tínhamos em SC, o plano UNIMED, aí como muda tudo na mudança de governo,o nosso plano também mudou.Para mim foi para pior,pois os meus médicos não se credenciaram ao novo plano.Quando fui marcar consulta com meu médico de anos,me disseram ele não atende por este plano,mas tem outro que atende.Imagine, trocar de médico assim,num estalar de dedos.....Infelizmente as síndromes estão se alastrando ...
    Tais, querida, grande beijo!

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  17. Oi, MARLI, isso também aconteceu conosco! Penso que isso está virando moda. Trocar de médico como se troca de roupa... tão fácil, não?! Então saímos atrás, catando... como se procurássemos uma peça de adorno.

    Como ter uma indicação, assim, de uma hora pra outra, e muitas vezes num caso de urgência? A coisa tá difícil, amiga.

    Beijos, carinho pra você.

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  18. Oi, Taís,

    Esta postagem me fez lembrar uma amiga que, quando começou a febre (e a necessidade) dos planos de saúde, dizia que o seu plano de saúde era o INAMPS, que não iria pagar plano nenhum porque já pagava muitos impostos! Lembro-me dos pensamentos que tinha ao ouvi-la e não eram nada bons: considerava-a ingênua demais em crer que seria bem atendida.
    Hoje, embora não deixe de pagar o meu plano, assistindo a todas essas experiências de todos nós (cada um tem a sua pra contar) tenho pensado que a ingênua fui e tenho sido eu!
    Bjsssssssssssssssss, quérida!

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    1. BRECHIQUE, creio que estamos chegando lá... Esperar, já esperamos; trocar de médico também já é moda, pois eles atendem 2 vezes por semana ou abandonam o convênio. O resto dos dias são consultas para 'particulares'. Só sei que estamos ficando na mão, entregues às baratas. Quem fará algo por nós? Só para mostrar os resultados de exames a coisa vai para outros 30 dias, no mínimo! É dose, amiga!
      Que vergonhoso! Essa gente precisa dar um pulinho na França, Inglaterra e no Canadá; lá a coisa funciona muito diferente daqui. Saúde, nesses países, é coisa valorizada. Sua amiga não deixa de ter lá suas razões... O grande problema que tem de ser resolvido são os PLANOS DE SAÚDE que pagam muito pouco aos médicos, é difícil, não há como se interessar pelos pacientes... Suar a camiseta para ganhar uma ninharia? Isso não existe. Nunca.

      Beijos, querida!

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