25 de outubro de 2009

TROCA DE FAMÍLIA


- tais luso de carvalho

Nós, brasileiros, estamos acostumados a nos emocionar através das tragédias: almoçamos e jantamos com noticiosos que fazem de nossas refeições um inferno. Quando não mostram assassinatos, torturas e seqüestros, mostram doenças terminais com todas as suas variantes, ou pessoas com os mais diversos problemas odontológicos. São apetitosas, as nossas refeições. Mas a culpa é nossa, é fácil desligar o aparelho.

Hoje, 24 de outubro de 2009. Um sábado chuvoso, fiquei deitada no sofá da sala exercitando meu domínio sobre o controle remoto. E trocando de canal, fui aportar na Record, em um programa chamado ‘Troca de Família’. Troca de Família é um reality show em que duas famílias diferentes trocam de mães por uma semana e têm que se adaptar a uma rotina totalmente nova, um verdadeiro desafio de tolerância e jogo de cintura.

Já havia visto outros programas desta série, porém nenhum chegou a me emocionar. Bem ao contrário. Mas esse, que mostrou Marina – a mãe que mora em Suzano/ São Paulo – e Linda, a mãe que mora em Aracajú/ Sergipe foram perfeitas nos seus sentimentos mais nobres, nas suas emoções, em simpatia, em amar o próximo, em esquecer mágoas, em ignorar as diferenças sociais, os preconceitos e se doarem ao máximo para se integrarem uma à família da outra.

Marina, dentista de formação, 1 filha, marido campeão olímpico e ótima condição econômica; Linda, dona de casa suburbana, 2 filhos, casada com um músico do subúrbio e de condição econômica pobre. Dois mundos, duas realidades opostas.

Marina soube lidar com todas as precariedades que encontrou na família de Linda, mesmo no primeiro dia onde encontrou poucos recursos, já no café e no almoço... Arregaçou as mangas e mãos à obra; fez e comeu o que tinha até resolver a situação com discrição.

Quero dizer aqui o que senti hoje; chorei sim, por ver aquela gente boa e humilde daquela vila precária de Aracajú contracenando com gente mais abastada de um bairro nobre de Suzano. É saudável a gente poder se emocionar com situações onde não existe lugar para rancor e ódio; é muito bom poder ver e sentir a capacidade que o ser humano pode ter para amar nas adversidades e conviver com as diferenças.

Estamos tão acostumados com desgraças que isso que vi foi emocionante sobre o ponto de vista social e psicológico. Gostei de ver essas duas mulheres que choraram porque foram bem recebidas; que choraram porque foram bem tratadas; que choraram porque foram muito amadas por pessoas estranhas. E choraram porque também amaram o ‘desconhecido’ sem preconceitos. Principalmente Marina, a mãe de Suzano / SP.

Depois de muita violência, um pouco de paz.

14 comentários:

  1. Boa noite Tais, hoje poucas pessoas como você se comovem assistindo um programa de tv ou por saber que outras pessoas passam por dificuldades. Em geral não é que elas não se comovam o caso é que devido a correria do dia a dia não dá nem tempo para ter esse tipo de sentimento. O fato é que devemos amar não só a nos mesmos mais principalmente aos outro. Um grande abraço!
    Amei seu cantinho.
    Parabéns!
    Beijinhos...

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  2. HOje não assisti,mas, outro dia passou o da família oriental com a da comunidade de nudismo. Realidades completamente diferentes e foi muito emocionante. Na volta a família alemã do clube de nudismo ajeitaram a vida com outros valores e a oriental teve o marido surtado pela culpa que arrastou anos e pediu perdão até a sogra. Amei e chorei até! Realmente a mudança de valores sendo vivida com humildade e amorosidade é lindo! bjs amiga

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  3. Parece continuação da postagem anterior, mas o outro lado da moeda, quando não há pre conceitos estabelecidos...

    Fique com Deus, menina Tais.
    Um abraço.

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  4. Acredita, que nunca consegui ver
    um programa desses por muito tempo?.
    Dava-me um frio na barriga, nervos,
    por não acreditar que aquilo desse certo e fosse 'descambar' a qualquer momento.
    Mas pelo que conta, esse foi bonito.
    Beijo

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  5. Já assisti vários desses programas, dá para exercer a empatia, bem como a tolerância para a vida do outro.

    Um dia li a frase de Bernard Shaw que cabe bem aqui:
    "Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus."

    mil beijos

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  6. Taís, teu blog está cada dia melhor tanto no visual quanto na escolha dos textos. Por aqui não falta o que agrade à leitura dos mais diversos tipos de leitores.
    Respondi a tua perguntinha lá no "Aqui... Entre! Nós." Estavam fazendo falta tuas palavras.

    Abraço baiano do tamanho desta tua querência gaudéria.
    Axé!
    LU MARIA

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  7. A ser humano tem capacidades de adaptação fantásticas, melhor do que o camaleão... Em termos de sentimentos, então, é capaz do melhor... mas também do pior...

    ainda bem que neste caso é do «melhor»...

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  8. É disso que todos nós, brasileiros, estamos precisando: de "um pouco de paz". Chega de helicópteros habatidos, de crianças aliciadas, de policiais corruptos, de políticos sem escrúpulos, e de outras mazelas tipicamente nossas... Parabéns pelo texto tão bem escrito!...

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  9. Olá Tais, tem um selo para você no meu cantinho. Comento do carinho dos blogs que me conquistaram. Quando der um tempinho passe para pegar. Beijinhos...

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  10. Olá Taís, tudo bem?
    Vc tem razão, é difícil ver televisão ultimamente...eu não aguento mais.
    As vezes quando pego, vejo esse programa, e gosto mto, pelo fato de aproximar pessoas tão diferentes, (em todos os sentidos), e tirar daquela convivência um aprendizado.
    É muito importante essa troca, pois as vezes as pessoas trazem dentro delas uma ilusão enorme das coisas, e quando se depara com o outro lado da moeda, acaba vendo a vida como ela é, e passa a dar valor aquilo que vc achava sem graça, sem importancia.
    Bjos
    Waleria Lima.

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  11. "Gostei de ver essas duas mulheres que choraram porque foram bem recebidas; que choraram porque foram bem tratadas; que choraram porque foram muito amadas por pessoas estranhas. E choraram porque também amaram o ‘desconhecido’ sem preconceitos"

    A mulher tem mesmo essa capacidade, de se emocionar diante do belo e dos sentimentos nobres...


    Adorei este post, beijos

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  12. Bom dia.

    Tem toda razão, violência não nos falta, solidariedade é difícil mas acontece.

    Beijo e muito obrigada pelo comentário no meu blog.

    Renata.

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  13. Isso denota que estamos carentes de respeito, de dignidade, de honestidade.de verdades, e acima de tudo, carentes de podermos ter acesso á coisas boas, coisas que mostram o bem, a conduta das pessoas de diferentes classes sociais, mas com um só objetivo, viver bem,isso nos faz acreditar que nem tudo está perdido.
    Como sempre, parabéns pelo seu talento e sensibilidade para poder captar algo tão nobre e trazer até nós.
    Te amo.
    Izildinha.

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  14. Graças a Deus, amiga, ODEIO esse aparelho que as pessoas ligam na hora das refeições. Se fosse por mim não existiria mais por completa falta de uso. Ainda bem que esse ensinamento conservei.

    Meu pai proibia-me fazer outra coisa na hora da refeição, nem conversar podia. Segundo ele, o cérebro tinha de ter certeza de estar enviando a mensagem certa, sem interferências. E ele tinha razão, meu velho pai...

    Só você mesma, Taís, "... exercitando meu domínio sobre o controle remoto." Boa essa! Sabe que eu não sei se tenho ou não domínio sobre o "bichinho"? Nunca experimentei. Uma hora vou ver o que dá, eu com aquilo na mão. Perece tão frágil, o coitadinho!

    Oh!, amiga, existe um programa assim? Deve ser muito interessante! Como eu queria trocar com a mãe da Gabriela e do Luiz Fernando! Não. Pensando bem, não. Não daria certo, haveria morte: ou de uma mãe ou de uma adolescente e uma criança. Não daria certo isso!!! Deus me livre! Deixe-me quieta. Pelo menos a minha prole eu conheço bem.

    Mãe é mãe em qualquer lugar, né, amiga?

    GRANDE, essa Marina, hein?? É, o lado bom do ser humano é fantástico mesmo!

    Bom saber que na televisão não só mostra guerra entre traficantes e polícia, desunião, rivalidade, desonestidade. Bom saber que ainda se aproveita alguma coisa.

    És extraordinária mesmo, Taís! Consegui sentir a emoção quase como você sentiu.

    Grande abraço!
    Maria Lúcia.

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