15 de julho de 2016

O CHAMADO - POEMA DE PEDRO ESCOSTEGUY


Psicodrama - 1965 / Pedro Escosteguy


                       O CHAMADO 
              
               Carpinteiros
               pedreiros
               médicos
               marinheiros
               também tu,
               coveiro,
               temos trabalho!

               Conclamam-nos
               para refazer
               a obra desfeita
               a estrada desfeita
               a consciência desfeita.

               Vinde de todos os lados,
               artífices,
               semeadores,
               tratoristas
               também tu,
               homem de mão no bolso.

               É preciso debater-se
               em todos os detalhes
               as razões pelas quais
               a obra está desfeita
               a estrada desfeita
               a consciência desfeita,
               para que tudo
               não aconteça de novo.

               Acorrei com vossos instrumentos
               preferidos
               com vossas reservas de entusiasmo
               com o braço disponível,
               sem ódio, sim,
               sem ódio.

               Porque a reconstrução da obra desfeita,
               da estrada desfeita,
               da consciência desfeita
               é trabalho de amor.
               E sobre os escombros
               o tom da rosa é amarelo.


(Canto à Beira do Tempo - Pedro Geraldo)

Pedro Geraldo Escosteguy nasceu em Santana do Livramento/RS - Brasil, no ano de 1916. Em 1938, já morando em Porto Alegre, concluiu o curso da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio Grande do Sul, com especialização em Gastroenterologia. Paralelamente à medicina iniciou-se na poesia, migrou para o conto, ingressou nas artes plásticas.
Escosteguy publicou seus primeiros livros de poemas no início da década de 50, quando o grupo a que pertencia, o Quixote, pontificava na vida cultural porto-alegrense. Seu último livro de poemas foi lançado em 1988, um ano antes de sua morte, ocorrida em 1989. 
Como pintor, participou da Vanguarda que, no Rio de Janeiro, revolucionava as artes plásticas brasileiras; como escritor, inventou os anticontos da revista Artista multifacetado. Pedro Escosteguy foi também um animador cultural.  Na década de 50, junto com os companheiros do Grupo Quixote, organizou o Primeiro Festival Brasileiro de poesia e promoveu happenings como a Mostra Popular de Poesia Ilustrada e o Volante de Poesia - eventos que transcorriam nas praças de Porto Alegre. Difícil definir esse intelectual de tantas faces, homem ativo, generoso e delicado, a quem tanto deve a literatura de nosso Estado.
Criou uma obra própria de cunho vanguardista - veiculando através das palavras, pensamentos e imagens uma interação entre a sensibilidade e a necessidade de um posicionamento crítico.
(Poesia Reunida - LPM )


- Em 14 de Julho de 2016 foi comemorado em Porto Alegre, no Instituto Ling, os 100 anos de seu nascimento. Mais sobre Pedro Escosteguy e suas obras no  DAS ARTES.


Clique +
 
 Soraya Bragança 
- PUCRS


  
   Poesias Reunidas 
    ed 1996 - LPM




37 comentários:

  1. Ótimo poema, enganado, como se fez a muito um tempo atrás, de homens de luta e ideais nobres. Beijos, Tais.

    ResponderExcluir
  2. Olá Taís, que bela trajetória do medico Pedro, nesta mudança de foco e dedicação. Não o conhecia.
    Uma construção poética interessante num chamado fantástico e critico.
    E a rosa ainda é amarela.
    Muito bom.
    Um lindo fim de semana amiga.
    Bjs de paz.

    ResponderExcluir
  3. Poema perfeito para o hoje que vivenciamos! Feliz escolha sua, Taís!
    Linda a trajetória de Pedro Geraldo Escosteguy, principalmente por ter acrescentado a sensibilidade poética em sua vida!
    Abraço.

    ResponderExcluir
  4. Boa noite, Taís.
    Um poema muito lindo, chamado perfeito!
    A reconstrução inexiste se não houver amor,alicerces não terão fundamentos.
    Que todos venhamos aceitar o chamado em plurais sentidos da nossa existência.
    Muito obrigada pelo carinho.
    Tudo de bom.
    Beijos na alma.

    ResponderExcluir
  5. Cara amiga Tais, eis um poema oportuno, pois há tanta coisa para ser refeita, sobretudo, porque que nós nos desviamos do caminho, da obrigação, da tarefa que nos foi pré-definida, pois não viemos aqui à passeio, mas a trabalho...
    Gostei da vossa explanação sobre o autor, até então, desconhecido para mim.
    Um abração. Tenhas um lindo fim de semana.

    ResponderExcluir
  6. Olá, Tais...(Pedro Escosteguy ), creio que esse é o primeiro poema -dele- que leio, adorei a sonoridade poética ( e a sua escolha, claro)... sem vínculos sólidos, tudo é desfeito com a mesma rapidez...somos todos chamados para uma reconstrução e é isso que temos que fazer, com entusiasmo e sem ódio,com amor!Bom finde, belos dias, beijos!

    ResponderExcluir
  7. Oi, amiga, Taís Luso !
    Genial escolha, como sempre, fizeste para
    partilhar conosco.
    Pedro G. Escosteguy, multifacetado nas
    artes, é um orgulho para quem escreve a
    sensibilidade. Parabéns, com o meu abraço
    de boa noite e agradecimento.
    Sinval.

    ResponderExcluir
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acróstico a Pedro Escosteguy
      Explicação: (detesto fazer explicações) O comentário anterior sai com incorreção, daí a necessidade desta.
      Quem sabe - como Escosteguy - faz, quem não sabe - como eu - homenageia.

      Outro chamado, de Érato, também existe
      Convidando aqueles seres bem especiais
      Homens e mulheres com poesia em riste
      A viabilizarem este mundo cada vez mais.

      Mas, onde essas pessoas ocultas estão?
      Assim como Pedro Escosteguy aqui veio
      Deixar bem mais (P)alegre este mundão
      Onde sequer, ele dizia, estava a passeio?

      Excluir
  9. Excelente partilha, uma poética para ser lida com
    atenção nas palavras como portadoras de uma
    consciência crítica social e existencialista.
    Grata por este momento de leitura aqui, querida Taís.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  10. Siempre nos traes buenos poemas, un abrazo.

    ResponderExcluir
  11. O chamamento à intervenção do público está muito interessante!
    Nota-se na sua poética a sensibilidade de um artista completo e nato,
    com uma forma de crítica social e política subtilmente irónica e bem
    humorada.
    Gostei de apreciar este poema delicado inserido numa nova estética de
    vanguarda introduzida na literatura gaúcha.
    Beijo, Taís.
    ~~~~~~

    ResponderExcluir
  12. Fiquei a conhecer mais um grande poeta.
    Um excelente poema de que gostei bastante.
    Um abraço e bom fim de semana.
    Andarilhar

    ResponderExcluir
  13. Oi Tais!
    Que linda a trajetória e sensibilidade deste belo homem!
    Amei tua escolha Tais!
    Beijão!!
    Mariangela

    ResponderExcluir
  14. Boa noite querida Taís.
    Uma trajetória brilhante do medico Pedro Geraldo Escosteguy, que foi também um grande poeta. Um feliz domingo para vocês. Enorme abraço.

    ResponderExcluir
  15. Precioso querida amiga, siempre es un placer leerte.
    Me ausento unos días a descansar, pronto estaré con todos vosotros.
    Te mando un fuerte abrazo querida Tais Luso.
    Besos amiga.

    ResponderExcluir
  16. poema com um certo perfume "herético" rss
    adorei conhecer o nome do poeta. que não irei perder.
    grato, Tais, por dar a conhecer.

    muito refrescante a leitura do poema.
    sem passarinhos à janela, nem gemidos do mar a bater na rocha rs

    beijo, amiga

    ResponderExcluir
  17. A poesia tem dessas coisas, é atemporal. Lendo o poema, percebo que pode ter tantas aplicações, ser posto em tantos contextos diferentes. Penso, por exemplo, no momento atual de nosso país, onde precisamos da ajuda de todos para reconstruí-lo. Por outro lado, penso que o mundo todo precisa de uma reforma, onde, irmanados, possamos curar as doenças que existem nele.

    ResponderExcluir
  18. Antes que me esqueça. Faz tempo que não venho aqui, mas toda vez que venho, sempre encontro uma coisa boa para levar comigo.
    Abraços, Taís.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, Thomaz, faz tempo, recebo sua visita com alegria.
      Obrigadíssima, volte sempre.
      Grande abraço.

      Excluir
  19. Um poema excepcional que nos permite diversas e oportunas leituras por caminhos diferenciados.
    Tanto para reconstruir... a paz que almejamos, solidariedade entre os povos, a compleição dos valores, a dignidade humana, a equidade e tantas mazelas
    Há que pensar e atitudes precisam ser tomadas para a reconstrução de um mundo igualitário e digno para todos
    Venho agradecer o carinho e deixar um afetuoso abraço
    Vou dar uma pausa nos blogs para curtir o recesso escolar
    Volto em breve! Até a volta!
    Beijokas doces no coração

    ResponderExcluir
  20. Este mundo, às vezes, parece mesmo os escombros de uma obra perfeita, que o homem desfaz a cada dia, pela sua acção...
    Ainda sob o choque dos últimos acontecimentos em Nice...
    Brilhante escolha, Tais! Que me permitiu apreciar mais um formidável poema, de um autor que não conhecia...
    Beijinhos! Boa semana!
    Ana

    ResponderExcluir
  21. "Porque a reconstrução da obra desfeita, da estrada desfeita, da consciência desfeita é trabalho de amor."
    Gostei imenso deste poema. A paz é o empenhamento de todos nós. Sem isso, vencem os que têm o mal dentro de si mesmos...
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  22. No conocía este poema y he de confesar que tampoco al gran poeta que lo creó. Es hermoso leer, verso a verso, como va desarrollando sus sencillas y geniales ideas. ¡Ha sido tan fácil de entender! Genial.
    Gracias por contarnos su historia. Una vida plena y llena de interés.
    Con afecto.

    ResponderExcluir
  23. Oi Taís,precisamos de muita Paz neste mundo tão conturbado que estamos vivendo e vendo tantas atrocidades.
    Uma bela escolha pelo momento que estamos passando,não só no Brasil como no mundo.
    Parabéns por nos compartilhar esse poema de um autor que eu não conhecia.
    Bjs e obrigada pela visita.
    Carmen Lúcia.

    ResponderExcluir
  24. TAÍS,

    esta sua postagem foi de tirar o fôlego.

    Completíssima e parabéns, mesmo!

    Um abração carioca.

    ResponderExcluir

  25. Querida Taís.
    A sensibilidade e a bela trajetória mostra que há pessoas que nascem com uma visão atemporal do mundo, esta poesia se aplica perfeitamente aos tempos atuais, a nossa necessidade da ajuda de todos para reerguermos nosso abatido País.
    Ótima postagem, amei,
    beijinhos.

    P.S- Gostei demais de seu comentário à minha postagem
    'A Adolescente'.
    Também como você meus sonhos são de acordo com o meu amadurecimento é quando a vida nos ensina até a sonhar, realmente podemos chamar de planos ou projetos possíveis e mesmo assim nem sempre realizados.
    bjs. Léah

    ResponderExcluir
  26. Olá Tais! Se esse "Chamado" fosse feito hoje, dificilmente seria atendido por todos, principalmente o de mão no bolso. Bela trajetória do Autor. Confesso que não o conhecia. Ótima escolha!

    Beijos e muita saúde e paz para ti e para os teus.

    Furtado

    ResponderExcluir
  27. Gracias Tais por tu incorporación a los seguidores de mi blog.
    Un abrazo desde Chile.

    ResponderExcluir
  28. Tais...não conhecia!
    É fantástico esse poema...e obrigada pela partilha!
    Bj amigo

    ResponderExcluir
  29. Belissímo poema, não conhecia o poeta, obrigado pela partilha.
    Beijinhos
    Maria

    ResponderExcluir
  30. Um belo convite para refazermos este mundo turbulento através do amor. Gostei da partilha. bjs

    ResponderExcluir
  31. Perfeita a escolha Taís ! Sempre bom ouvir, ler e falar sobre a Paz. Beijos querida

    ResponderExcluir
  32. Olá Tais,

    Fiquei impressionada com a riqueza biográfica de Pedro Geraldo Escosteguy. Este pequeno resumo mostra o quão qualificado ele era, já que médico, escritor/poeta e pintor.
    O poema é fantástico e reflete bem as necessidades atuais do planeta de reconstrução, inclusive da reconstrução da consciência, o que requer a participação indispensável do amor. Um chamado que deveria ecoar no mundo, notadamente aqui, em nosso Brasil.

    Preciso mesmo de um tempo maior, daí ter interrompido as interações no meu blog. Ele estava consumindo grande parte do meu tempo, levando-me a relegar coisas importantes para mim e para a minha vida. Retornarei quando me sentir pronta para continuar na vida blogueira.

    Obrigada!

    Beijo.

    ResponderExcluir
  33. Nem imaginas o quanto gostei deste poema, Tais! Não conhecia o autor e por isso agradeço as informações sobre ele. Por todo o lado se vê destruição em todos os aspectos e todos nós temos a nossa quota parte de culpa; a parte mais dificil, amiga é refazer as consciências; essas não mudam com pás e cimento, tijolo e força braçal; é preciso que na mistura se coloque uma grande dose de força de vontade, persistência, amor ao outro e uma grande capacidade de compreensão e tolerância. Ha alturas em que me pergunto como foi possivel que a consciência humana se tenha desfeito de tal maneira que dela não tenha restado um pingo sequer de sensatez. Como diz Drummond de Andrade, em Residuos, " de tudo fica um pouco...muito pouco...de tudo fica um rato" Melhor seria se ficasse um botão, mas....pelo que vemos, fica um rato ou menos ainda que um simples rato. Adorei, amiga! Façamos a nossa parte e tentemos refazer o que parece totalmente desfeito. Beijinhos
    Emilia

    ResponderExcluir
  34. Eta gaúcho bom, se baiano fosse, diríamos "arretado". Mas baiano de verdade diria "gaúcho retado" "Poeminha" de tirar o fôlego e uma história (a dele) exemplar. Gostei da partilha.
    Beijo,

    ResponderExcluir
  35. http://anna-historias.blogspot.com.es/.
    Te mando mi blog si quieres darle un vistazo gracias

    ResponderExcluir

MEUS AMIGOS:

1 - Este blog não envia nem recebe comentários anônimos ou ofensivos.

2 - Entrarei na página de comentários quando alguma resposta se fizer necessária.

3 - Meus agradecimentos pelo seu comentário, sempre bem-vindo.


Meu abraço a todos.
Taís Luso