15 de agosto de 2010

COMPORTAMENTO EM RESTAURANTES...



- Tais Luso de Carvalho


Hoje, poucas são as mulheres que querem cozinhar: em cada bairro existem dezenas de restaurantes, para todos os bolsos e para todos os gostos. E comida muito variada.

Estamos na era dos restaurantes a quilo: grandes mesas com frutas, verduras, grelhados, feijão, farofinha, bolinhos e pratos típicos internacionais. Que maravilha.

O curioso de observar nestes restaurantes é a clientela: que coisa mais esdrúxula! Vejo pessoas com pratos que mais parecem umas bacias; eu não consigo disfarçar; é uma mistureba, poucas coisas combinam entre si. Também já entrei nessa, logo no início desses restaurantes: olhei meu prato e não entendia o que estava ali dentro... Hoje, cutuquei meu marido: olha... olha aliiiii que medonho, feijão com estrogonofe!!!

O outro troglodita, da mesa ao lado, estacionou de bacia: dois ovos fritos, massa, dois bifes, um balde de batatas fritas, bolinho de aipim, cenoura, vagem, cebola no espeto, melancia, laranja e rúcula. E pediu água (pra não engordar). E não levou muito para  pegar um balde de paelha que não coube na primeira rodada... Putz... Eu não conseguia parar de olhar por mais força que fizesse. O Pedro Luso me cutucava e dizia pára de olhar, tá ficando feio! Piorou, comecei a rir; aquela coisa tipo um ataque!

Num restaurante é onde se vê   o grau de educação das pessoas; é onde se vê quem é quem. É um festival de gula, misturado com carência e falta de educação. A impressão que tenho é que não comem há muito tempo. Ou será a última refeição de suas vidas?

Também vejo gente de regime: tudo que é tipo de verdura num prato que mais parece um condomínio de 3 andares. Por menos crítica que eu queira ser, não dá. Também não vou calar diante de absurdos e, se as circunstâncias me trazem certas coisas, então vamos lá! Vou escrever crônicas de que cotidiano?

Estas coisas acontecem, também, em churrascarias: estou lá saboreando minha picanha, numa boa, jogando conversa fora, e de repente me aparece a fila de garçons com maminha, alcatra, corações de galinha, salsichão, costela, linguiça, lombinho... Sinto que vou enlouquecer, mastigo a mil! Até hoje não entendo o porquê de tanta pressa em colocar montanhas de carne no nosso prato. Será para levantar logo e dar lugar para outros?

Bem, mas aí a loucura está na churrascaria: é o tal do espeto corrido. Esse tipo de churrascaria é muito comum aqui no Rio Grande do Sul – servem vários tipos de carne ao mesmo tempo. É a churrascaria certa para quem tem uma fome desmedida: é a fome com a vontade de comer. Aí tá no lugar certo. Você não desfila de bacia na mão: a comida vai até você!! E se oferece gentilmente...




29 comentários:

  1. É assim mesmo Tais, também fico impressionado com a quantidade de comida que determinadas pessoa colocam no prato, só de ver passo mal. Esse tipo de churrascaria aqui em BH chamamos de rodízio, que não gosto pois como pouco.
    Bjux

    ResponderExcluir
  2. Ahaha! Taís, taís... bom saber que você é reparadeira, vou evitar marcar almoços com você e com o Pedro (a não ser que iremos só eu e ele, esses homens embrutecidos, rústicos!). Bom, não tenho muito o que dizer, ^você já deve ter lido O Almoço du Carvalho... pois é, aquele ser primitivo sou eu!

    Ah, com relação à churrascaria, adoro-as, mas a experiência me ensinou que é péssimo lugar para dreunião de negócios. Além de os caras dos espetos não te deixarem conversar, sempre cai um pedaço de carne no seu colo, ou umas gotas gordas de sangue no seu vinho. Péssimo!


    bjão!
    Cesar

    ResponderExcluir
  3. Num restaurante geramente fomos pela a gula, queremos provar sabores e não exatamente avaliar que a mistureba que fazemos no gosto da comida.

    No caso o rodizio, até que é facil, quanto mais rapido a pessoa se sentir satisfeita, mas rapido ela abre a vaga para a próxima.

    Fique com Deus, menina Tais Luso.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  4. A vantagem de reparar é que assim você não engorda, deve perder a fome...rs
    É impressionante como as pessoas enchem os pratos mesmo, eu sempre me pergunto se é por medo que acabe a comida ou se é preguiça de levantar para se servir de novo.
    beijos

    ResponderExcluir
  5. A natureza fez o comer para o viver e a gula fez o comer muito para o viver pouco .

    Abraço.

    ResponderExcluir
  6. Ah, Taís, eu também sou "reparadeira"! E é verdade, fui educada assim, a gente vê o nivel social das pessoas pelo comportamento à mesa. Sabe aquele "jeitinho" de segurar o talher e "assassinar" o bife, você já viu? E essas montanhas de comidas, saladas, carnes, frutas, doces nos pratos, parece que o carinha veio da Etiópia... meu Deus! Mas as churrascarias também, dá licença, espeto corrido? Que nada! Espeto correndo!!! E as pessoas de "olho-maior-que-a-barriga", aff, simplesmente enchem os pratos, que é uma vergonha!!! Cala-te boca! Adorei a crônica. Bjssssss

    ResponderExcluir
  7. Hahahhaha… ih Taís!

    Acho um sarro ir em restaurante a quilo, a gente vê cada coisa!

    Confesso que eu já passei vergonha. Quero experimentar tudo, aí pego um pouquinho de cada. De pouquinho em pouquinho o meu prato enche!

    Sempre fui magrela de ruim, pois como pra caramba. Agora é que estou sentindo o peso da idade e da gula. Resultado; agora tenho de correr para a academia! Bem, pelo menos montanha nunca fiz, não chego a esse ponto! Hehe

    Beijos moça
    Deva

    ResponderExcluir
  8. Ôooo, Deva!!! Não me faça passar vergonha... Sou sua fã!!! rsrsrs.
    beijão.
    tais

    ResponderExcluir
  9. Para com isso! Que eu fico roxa de vergonha!hehe

    Nem venha com essa Taís, eu é que sou sua fã. Te admiro muito. Uma ótima escritora. Cronista maravilhosa. Toda vez que vejo atualização sua venho correndo ler.

    Além disso você é ser super simpática, sua alegria é contagiante, mesmo para quem te conhece somente assim, pela internet.

    Adoro ler você e o Pedro Luso, vocês são referência para mim. E olha que entrei no blog dele por acaso, a internet tem dessas coisas...

    Bem, vou parar com a rasgação de seda se não você vai me chamar de puxa saco. Mas saiba que é tudo verdade.

    Obrigada pelo carinho

    Um grande beijo Taís

    Deva

    ResponderExcluir
  10. É verdade. a gula se sobrepõe a fome.Estes espetos corridos ou rodízio só não dão prejuízo porque existem pessoas como nós que comemos moderadamente.Mas adorei seu senso de observação e de narração.Parecia que estava observando esta orgia de comida.Abraços Eloah

    ResponderExcluir
  11. Cara Taís

    Essa fila de garçons com espeto na mão tem a simples razão de que quanto mais rápido você come mais rapido se empanturra, lucro para o restaurante. Na realidade somos nós que nos empanturramos, naquela gula de tudo comer perdemos a chance de saborear lentamente cada tipo de carne. Temos o livre arbitrio de recusar, mas...
    Bernardo

    ResponderExcluir
  12. Taís,

    seu texto está recheado de razão. Eu, por exemplo, você já sabe, odeio cozinhar e, vira e mexe, recorro a um restaurante. Mas procuro nem olhar para os lados... Porque não faltam motivos para desestimular meu apetite. rsrs Isso sem falar no trajeto do buffet à mesa quando o restaurante está muito cheio... Em alguns momentos é como estar em um circo; gente que parece estar caminhando numa corda bamba, levando nas mãos, ao invés da sombrinha ou da vara,... o prato e, dentro dele, uma montanha de comida, - outro show de equilíbrio. rsrs

    Ai, ai, Taís, me diverti muito lendo sua crônica.

    Bjs, amiga. E inté!

    ResponderExcluir
  13. Tais,excelente sua cronica!Muito divertida e verdadeira!Também me impressiono com esse tipo de atitude em restaurantes.Será que vão passar o resto da semana sem comer?Nas churrascarias não suporto a pressa que eles tem de encher nosso prato e acabo recusando quase tudo,porque prato cheio demais até faz perder o apetite!Adorei conhecer seu blog e agradeço sua visita!Abraços,

    ResponderExcluir
  14. Gostei, Tais. Bem humorada sua prosa. Que sirva de reflexão para aqueles que não sabem se portar à mesa. Bjs querida.

    ResponderExcluir
  15. Tais,
    essa vergonha eu não faço a ninguém. Não consigo passar de algumas gramas. hehe Ótima crônica. Sim, estou trabalhando crônica com meus alunos e indiquei seu blog. Tenho certeza que aprenderão muito aqui. Bjo

    ResponderExcluir
  16. Engraçado Taís....o que eu ri, mas é
    verdadeiro...Sempre reparo nisso...
    Como gosto de comer, mas não quero
    'a taís' a olhar para mim, escolho um prato grande e coloco peixe e umas
    coisinhas. Como parece pequeno de
    comida!!!Depois repito a dose para a carne....mas nunca levo bacia...sempre
    prato grande.
    Estou tentando fazer piada, pois me
    diverti muito com o texto.
    Beijo Amiga

    ResponderExcluir
  17. E depois vem o problema, na hora de encarar a balança...Ou trocar o guarda-roupa.
    Bjoo!!

    ResponderExcluir
  18. Sou obrigada a almoçar fora todos os dias. Certa vez, fui a um restaurante que por um preço fixo você pode comer a quantidade que quiser e até repetir. O que vi foi incrível. Entrou um engravatado super boa pinta, que rapidamente encheu um prato só de comida, depois outro, só de frutas. Finalmente, sentou diante dos dois ( as Torres Gêmeas). Ele - o terrorista -, deu três garfadas na comida, mais umas boas babadas em todas as frutas e largou todo o resto no prato! Ao sair, uma fila de garçons e de clientes pararam em frente a mesa para ver o estrago e imaginar quantas pessoas poderiam ter comido aquilo que ele, simplesmente, desperdiçou. Você também ficaria revoltada, Tais!

    ResponderExcluir
  19. Tais,me diverti com a sua crônica,pois vc retratou muito bem o que se passa em restaurantes.Falta educação, concorda? As vezes tenho a impressão que certas pessoas pensam que a comida pode acabar e por isso enchem o prato.O visual é péssimo!!!Sou vegetariana,e em restaurantes naturais o pessoal é mais tranquilo,tudo mais na calma, sem muita correria.
    Sumiu...Apareça, me dá muito prazer, mas tbém entendo que os seguidores são muitos e falta tempo para tantas visitas.
    Uma semana de paz e muitas alegrias para vc.
    Emília

    ResponderExcluir
  20. Taisamiga

    Tal como disse ao Pedrão, não tenho vindo por cá. Ando enredado na teia da aranha viúva que estou a escrevinhar. Um livreco quase policial, para o que me havia de dar...

    Lá no meu cubículo já tenho publicados uns quantos textículos, com x, que virão a integrá-lo. Muito gostarei de ter a tua sempre bem vinda opinião, em cumentário, com o.

    Há já uns anos que nasceram aqui neste rectângulo desengonçado os «terríveis» rodízios, verdadeira vingança brasuca contra o Cabral. Eu já tinha os tinha frequentado no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte e não sei onde mais.

    A verdade é que, com adjectivos ou sem, gosto. E não se fala mais nisso...

    Já te mandei qjs através do teu ex-celso ex-pouso, mas repito-os

    ResponderExcluir
  21. Oi, lindona!
    Amei a visita!
    Vim retribuir a atenção!
    Acho que, em geral, as pessoas são muito mal-educadas, isso sim!
    Não sabem se comportar. Fazem montanhas nos seus pratos como se fosse a última refeição de suas vidas.
    Não como carne há dois anos, mas quando comia nunca gostei de churrascarias. Detesto comer correndo e ser interrompida toda hora pelo garçom. Rodízio de pizzas também. A hora da refeição deve ser de paz.
    Hoje em dia, valorizo bem mais a(s) companhia(s) e a conversa. A comida é um complemento.
    Beijinhos, minha amada!

    ResponderExcluir
  22. E eu que nâo conseguía tirar da minha memoria uma única vez que comi numa churrascaría de rodizio em Ipanema, ha já mais de vinte anos.

    Você, Tais, acabame de tirar o apetite. Muito obrigado.

    Em diante, já só pensarei em peixes e mariscos galegos, bañados con alvarinhos do Rosal do Minho ou godelhos da Rua de Petín, e asentados numa cunquinha de caldo de grelos da Peregrina ou de Xavestre.

    Eu invito.

    Um beijinho.

    ResponderExcluir
  23. Hehehe!!!

    Verdade, amiga, esses "pratos de caminhoneiro", como dizemos aqui em Minas, ninguém merece!...:)

    E o pior, é que às vezes, por mais que a gente não queira prestar atenção, não tem jeito. Afinal, montanhas se avistam de longe!...rs

    Beijão, e um ótimo restante de semana prá você.

    Cid@

    ResponderExcluir
  24. Olá, Taís! Bom dia! Olha eu deixei um pouco de observar depois de ser muito observado. Eu trabalhei por muitos anos na Vale (antiga Vale do Rio Doce) e lá a gente almoçava no bandeijão self service. Além disso eu me casei com a nutricionista do restaurante. É cada coisa que presenciava que dá até vergonha de contar. rsrs. Hoje, como sou um cozinheiro razoável mas apaixonado com a gastronomia, fico a maior parte do tempo eu mesmo preparando os alimentos. Raramente vou a restaurantes. Abraço grande. Paz e bem.

    ResponderExcluir
  25. Eureka

    Este post me fez lembrar uma aventura por terras de "Tarraco".

    Será que todos querem ser como "Obelik".

    Como como um passarinho, devagar e pouco, bebo como andorinha, pouco e de corrida.

    Mas gosto de provar um pouco de tudo

    abraço

    ResponderExcluir
  26. Estava procurando alguns blogs com crônicas legais e o seu veio na medida. Adorei.

    Também tenho a mania de reparar no comportamento das pessoas onde quer que eu vá. Isso sempre dá material para textos interessantes.

    Abraço

    ResponderExcluir
  27. kkk...Tais, meus parabéns por essa visão óbvia, e tão bem descrita dessas situações, adorei teu blog.
    Tua fã demais...Abraços

    'Glenda Barros

    ResponderExcluir
  28. hehhehe é verdade , ahhh conheço pessoas assim , da minha propria familia rsrsrs , o legal é as combinações que fazem, muito criativo , é bom saber que não sou so eu que observo esses comportamentos

    ResponderExcluir
  29. Você escreve muito bem, gosto dos seus textos. Mas nesse caso tenho o ponto de vista diferente da maioria. É frescura se importar com o prato dos outros. Ainda existe o clichê de que é feio colocar comida demais no prato pois assim parece um morto de fome. Desde que não haja desperdício, ok. Feio é colocar muita comida no prato e depois jogar fora.
    Abraços!

    ResponderExcluir

QUERIDOS AMIGOS:

1 - Este blog não envia nem recebe comentários anônimos ou ofensivos.

2 - Entrarei na página de comentários quando alguma resposta se fizer necessária.

3 - Meus agradecimentos pelo seu comentário, sempre bem-vindo.


Meu abraço a todos.
Taís Luso