5 de setembro de 2011

FOBIA POR BARATAS !!




- Tais Luso de Carvalho

Faz muito tempo que me pergunto por que será que as nós, mulheres, temos um medo mórbido de baratas? Por que trazemos essa doença que não conseguimos dominar e carregamos por toda uma vida?

Chega um dia que nos livramos de TPM, das enxaquecas, enfrentamos doenças na família, lutamos como bravos soldados, escalamos o Alasca, nos atiramos de pára-quedas, enfrentamos o Congresso Nacional e outros desatinos. Enfim, enfrentamos tudo e a todos. Mas... Baratas, NÃO!

Gritamos, protagonizamos mil escândalos e alguns vizinhos corajosos - de cochichos – pensando que estamos na maior discussão com o marido. Não: é apenas uma barata, mas que para nós é o Armagedon - o fim do mundo, a batalha entre o bem e o mal.

Falando em mim, sei que isso é incurável, fico com taquicardia ao avistar esse bicho. Mas na casa dos outros sou mais contida: 

- OLHA LÁAAAAAAAAA!!! Assim mesmo, bem discreta.                  

Há anos, compramos um armário para cozinha, estilo antigo, cheio de gavetinhas e cantos. Mas este armário estava me deixando um pouco fora de minhas faculdades normais, uma vez que, todo o dia apareciam nas gavetas aquelas 'coisas pretas' que elas costumam deixar por onde passam.

Devia ser 2:00 horas da madrugada, já me encontrava deitada. Meu filho me cutucou no pé, acendi a luz e, através de mímica, tentava dizer que na cozinha tinha uma barata do tamanho de um elefante.

Arregalei os olhos e saí da cama sem fazer ruído, no escuro. Devo sofrer de uma patologia em relação ao bicho; meu marido odeia esta minha transformação súbita: da normalidade para a histeria. Acho que ele passou a gostar de barata devido aos meus escândalos... Bem, eu e meu filho fechamos todas as portas da casa, trancamos o cachorro no quarto e fomos à luta. Começamos a rir, mas cientes de que estávamos histéricos. Desesperados. Tenho consciência que traumatizei meus filhos, desde pequenos.

Procuramos por tudo: nada! Barata é assim: ela conhece nosso ponto fraco, sabe que ficamos transtornados com sua maneira típica de se meter nos cantos onde não cabe uma faca, um objeto mortal. Enfiei minha cabeça dentro do armário, tirei as gavetas, os talheres, os pratos... tudo! E continuamos no nada. Desistimos. Quase enfartei, fiquei com a impressão de que o bicho estava nos meus cabelos... Comecei a me escabelar e meu filho não sabia se procurava a barata ou me dava uma assistência psiquiátrica, estilo pinel. Prontamente tomei um calmante e fui dormir, mas ciente que no dia seguinte teria mais guerra. Eu falei dormir? Tá bom...

De manhã, após meu marido sair e sem alardes, começamos o que havíamos combinado: desmontamos a cozinha; iniciamos a busca.
Já estava com o spray na mão, mas como meu filho tinha asma, fiquei com medo de matá-lo e a barata continuar viva.

Mas o bicho estava lá! As provas eram evidentes.
Pensei, pensei... E veio a luz!
Peguei uma lanterna e um espelho; coloquei o espelho de maneira que refletisse os cantos do armário que davam para frente e iluminei o espelho com a lanterna: Deus meu... Não era uma! Era um monte. Um monte de baratas cochichando no canto! Como matá-las? Uma a uma... Jamais! E quebrei o silêncio partindo para uma batalha mesclada de coragem, medo e nojo e histeria.

Apareceu a vizinha do andar; Alexandre tinha colocado dois chumaços de algodão nas narinas para não aspirar o veneno. E foi abrir a porta...

- Nossa... o que houve com seu nariz? 
- Agora não dá, vizinha; mas está tudo sob controle, fique tranquila...

E fechou a porta na cara da vizinha, a fofoqueira do condomínio. Estávamos histéricos; mas acredito que os bichos estavam piores. Subiam pelas laterais do armário, corriam pelo chão...E nosso cachorro entrou na confusão! E veio o zelador e mais outra vizinha... Devo ter dito algo sem nexo, eles desapareceram.

Porém logo começou a alegria; foi um banho de spray! Que delícia ver aquelas baratas virando, se batendo desatinadas. Senti-me livre de minha fobia, psicose, Hitchcock, sei lá... Não importa o nome.

Mas... Até quando ficarei em paz? Li, há muito tempo, que as baratas são os únicos seres que sobreviveriam a uma bomba atômica. Com essa notícia dei uma piorada... Acho que é um problema universal e deveria ser tratado com seriedade pelos médicos, pela ONU, pela OMS preservando a saúde (mental) da mulher.

Mas por certo haverá alguma alma generosa que resolverá essa fobia em profundos estudos! E se Deus quiser deixará de ser uma patologia feminina...
Mas será que é só do universo feminino?



28 comentários:

  1. Tive que rir pois já vivenciei cenas parecidas...

    Detesto esse bichinho...

    Tua crônica foi maravilhosamente elaborada pois parecia estar ali, pronta pra dar uma porrada em uma dita cuja, pelo menos,rsrs

    beijos,linda semana,chica

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  2. Marina16:11

    Ei Tais me diverti muito ao ler essa grande história... hahaha...
    Muio bacana e de forma clara você consegue bagunçar nossas imaginações... Tenho um pavor terrível de baratas... Muito bom, adorei o seu blog
    Grande Abraço

    Marina

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  3. Tais, a caçadora de baratas no silêncio das madrugadas!!! Silêncio?! kkkkkk
    Amei o texto, ri demais aqui da sua briga com as baratas... bichinho mais descarado esse né!!! Também detesto, como todas neste planeta.
    E que alguém se interesse por nossa causa, por favor, e invista nas pesquisas! rsrsrsrs

    Beijão!!!

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  4. kkkkkkkkk oi Taís, a gente não tem como rir ao ler tua crônica, sempre tão bem desenhada. Mas tirando isso, sobram essas coisas asquerosas, pretas, cabeludas, peludas, horrendas ... PLOFT!

    Deu pra perceber que eu quase não tenho medo né? kkkkk affff...
    Eu tenho muuuitas histórias com esse monstro pavoroso, que depende do tamanho eu costumo chamar de dinossauro.
    Mas vc tem razão, a gente sai do sério e acaba entrando num filme de terror.

    Bjs querida e tenha uma linda semana.

    Lu C.

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  5. Taís; Eu não gosto de baratas mas não tenho fobias de nada e não tenho qualquer receio desse bicho, por acaso nunca tive cá em casa baratos ou outros bichos, mas mesmo assim deu um sorriso a ler o teu texto, mas fica descansada que também há homens que tem fobias de baratas.
    Beijos
    Santa Cruz

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  6. Taís, confesso que tenho tanto nojo desse bicho que o asco supera o medo. Caso queiram me ver irritada é encontrar uma barata viva dentro de casa. Digo viva, pois estou sempre detetizando os rodapés e toda vez que alguma invade o ambiente, logo morre. Não vou deixar aqui o nome do produto MILAGROSO, seria muita propaganda, rsrs, mas se quiser te envio por e-mail, é simplesmente, infalível!

    Beijos

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    1. NÉIA: há muito tempo que não aparece um monstro desses por aqui - estou em alerta permanente -, sempre é bom termos armas potentes contra eles. Pode mandar, amiga. O email está abaixo da minha foto de perfil.

      beijosss! E obrigada...rsrs.

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  7. Anônimo18:50

    Barata, argh! Que horror, não gosto nem de olhar uma quanto mais várias. Pior que esse medo é passado para os filhos que deveriam nos salvar delas. Acho que é necessário terapia pra tanto pânico!!!!

    Adoro suas crônica!!!Parabéns!

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  8. Querida amiga
    Hoje eu vim pensando um pouquinho em meu sonho
    por favor clique no Link

    http://www.mariaalicecerqueira.com/2011/08/prezado-amigo-leitor-e-seguidor-me.html

    Muito obrigado de coração

    abraço amigo
    atenciosamente
    Maria Alice

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  9. Anônimo20:23

    Prezada, adorei o seu texto, como mulher, também possuo um medo irascível destes bichos rasteiros, espero que um dia fiquemos plenamente curadas.

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  10. Bem que eles, os cientistas, poderiam desenvolver uma pílula que nos tornasse indiferente às baratas. Enquanto isso não acontece, sigo gritando, e muito.
    Um grande bj querida amiga

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  11. Cara Tais

    Foi difícil ler seu texto hoje. A simples (e terrível) foto já me causou arrepios e uma vontade de deixar pra lá o texto. Tenho verdadeira fobia por esse bicho. A minha impressão é sempre que ela vai voar em minha direção. Sim, as voadoras me deixam em pânico. Quando são terrestres ainda consigo um certo auto-controle...mas as voadoras!!!

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  12. Não tem como não rir... Muito bem contado o seu caso.

    Eu não tenho medo, tenho nojo, muito nojo.

    Mas já sou capaz de matar as "pestinhas" sem precisar gritar. acho que estou evoluindo.... Rsrsrs

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  13. Ah! Querida tive que rir.Tem algo que não esperavas.Baratas se fingem de mortas.São espertas. Por isso que a colonia não diminuía.Acompanhei tua maratona de extermínio passo a passo.Parecia estar presente.Parabéns pela crônica. Forte abraço, com carinho Eloah

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  14. Como sempre....maravilhosas as suas histórias.....Até esqueço no momento, esses bichos nojentos....
    Já morei numa casa que tinha 'disso',
    evito dizer o nome,não vão aparecer
    por aqui...mas não deram tanto trabalho....Coloquei umas casinhas especiais para elas .....e adoraram.
    Mas qu são nojentas....isso são...
    Beijo

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  15. Pena que o assunto seja barata. Pena que para escrever bem seja necessário um pouco de sofrimento!
    Bom para nós seus leitores que pudemos ler uma crônica tão bem escrita!
    Eu não tenho medo de baratas. Mas é lógico que todos temos nojo delas!
    A Loyde se parece com você na aversão às baratas...
    Um grande abraço, Loyde manda um beijo.

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  16. Olá, Taís!
    Vi o seu Blog e achei uma graça com textos incríveis. Já sou seguidora.
    Convido você a conhecer Sapatinhos da Dorothy, se gostar me siga também para trocarmos ideias.
    Abraço,
    Sandra

    Sapatinhos da Dorothy

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  17. Tais,
    Excelente crônica-depoimento-paranóico, você produziu a partir da tua fobia. Para teu consolo deve dizer que conheço machões-viris-tipo-rambo que ao se deparar com pobre inseto chegam a fazer xixi nas calças. Abraços, JAIR.

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  18. Taís, como os melhores exércitos que se juntam e se aparelham para combater o inimigo potencial. hahahahaha! Eu não tenho medo mas um verdadeiro asco. E passo também por esses momentos quando me aparece alguma aqui em casa. Minha mulher e minhas duas filhas tem suores, trancam-se emalgum cômodo, gritam e além de ter que matar ainda tenho que mostrar depois para garantir que vão ficar tranquilas. hahahaha! Abração. Paz e bem.

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  19. Apesar de estar longe de ter uma fobia parecida com a sua rsrsr eu detesto esse bicho, ele é nojento nossa terrível, mas vamos ver o lado positivo rendeu uma ótima crônica abraços

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  20. Um assunto horroroso - não tenho fobia, mas detesto esse bichinho... - que vc transforma em um belo texto. Esta tua talentosa performance nos faz estar sempre por aqui, a rir com tua espirituosa escrita, compartilhando teus pensamentos enquanto viajamos nas tuas ideias e deliciosa conversa.

    Uma ótima semana!
    Bjos, com o carinho de sempre!

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  21. Taís, foi inevitável, não consegui conter o riso, eu também tenho fobia e um asco absurdo dessas jurássicas, acho que passou de mão para filha, minha avó tinha medo, minha mãe, eu e minha filha. Quando aparece uma aqui também fico louca e a casa vira um campo de guerra.
    Excelente seu texto, como todos os outros, parabéns!!!

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  22. Marco Antonio Beck17:36

    Minha teoria sobre as mulheres & as baratas é que umas assustam as outras desde as cavernas (quando nós chegamos, as baratas já eram velhíssimas no planeta). Elas são grandes deamis (se fossem menorzinhas não assustariam tanto!), rápidas e imprevisíveis demais em seus movimentos, e são escuras demais. Isso tudo, conjugado, assusta as mulheres - sem falar no aspecto que elas (as baratas, claro) assumem quando chineladas com vontade! ARGH!

    O consolo é que aos olhos delas (das baratas), elas (as mulheres) devem ser bem mais assustadoras e mortíferas! Rsrs.

    Abraço, Taís.

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  23. LÉLIA DIZ: A DONA BARATA, HOJE EU TENHO CONHECIMENTO DO MEU SOFRIMENTO,
    PAVOR, TÉDIO, DESESPERO, SEM ENTENDER
    O FATO.
    EM RESUMO, SOU CAPAZ DE ATRAVESSAR NA FRENTE DE UM CARRO, POR CAUSA DE UMA BARATA, TIRANDO AS LOUCURAS QUE JÁ FIZ.
    SEMPRE DIGO, A COBRA NÃO ME ASSUSTA EM NADA, TENHO CORAGEM DE PAGÁ-LA, NO BOM SENTIDO, E A DITA CUJA, PORQUE ME LEVA A MORTE.
    BEIJINHOS, LINDA SEMANA

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  24. Boa noite, querida amiga Tais.

    Adorei!!
    Me senti no seu cenário, vendo tudo de muito perto.

    Eu tenho fobia por lagartixa.
    Tenho nojo de barata, e consigo exterminá-las com êxito.

    Mesmo assim, elas parecem mágicas! Quando a gente usa uma vassoura, ela desaparece, e nem sempre se enfiou vassoura dentro.

    Depois eu percebi que depois de muito perseguidas, elas ficam quietas em algum esconderijo até no dia seguinte. Aí então, é mais fácil pegá-las.

    Não é coisa só de mulher não...
    Meu filho é biólogo e até pouco tempo, tinha pavor delas.
    Atualmente ele é igual a mim, quando alguma aparece.

    Depois que temos aqui, cinco gatinhos, eu nem vejo as lagartixas mais. Os gatos não as comem, mas as deixam inertes no quintal.

    Aí eu as coloco no lixo, sem problemas. O mesmo acontece com as baratas.

    Dentro de casa nenhuma delas consegue entrar.
    Ah... Amo demais os meus felinos!

    Beijos.

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  25. Pois é...A barata,tenho comigo que simplesmente existe,resiste e nada mais...
    Adorei o assunto.
    Beijos!

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    1. Poxa, Izildinha... eu gostaria de ser assim, como você! Aliás, eu e milhares de mulheres... Você não conhece esse tormento...
      Beijos!

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  26. Boa noite Tais.
    Rsrs. Só de imaginar a luta de vocês, me arrepiei toda. Acho que essa fobia é transmissível rsrs. Pois foi depois que a minha filha passou a me deixar louca com o seu terror com as benditas baratas, que eu passei a ter verdadeiro horror, acredite já cheguei a chamar meu irmão bem tarde da noite, ele veio todo equipado pensando que era assalto quando soube que era barata, sentir pena dele kkk. Ele ficou perplexo acho que teve vontade de mim matar rsrs. Lindos dias para vocês. Enorme abraço.

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