31 de dezembro de 2015

A VERDADE NA VIRADA DO ANO




      - Tais Luso

Nunca gostei de despedidas. E muito menos de retrospectivas do ano agonizante. Não me cai bem. Naturalmente nunca mudei minha opinião, nunca tive sonhos na passagem do Ano-Novo. Também jamais tracei metas. Sei que não faço parte do pelotão dos animados, mas isso não me incomoda.

Nesses anos todos, vim observando e consolidando minhas ideias a respeito dessa festividade e do comportamento humano. Da mesmice, da continuidade de nossas atitudes após a festa. Se isso adiantasse o mundo seria outro, porque passagens e oportunidades tivemos aos milhões.

Temos nossos defeitos e virtudes. Dos defeitos, somos perdoados com sinceridade. As virtudes, segundo Nietzsche, são difíceis de serem reconhecidas. E como poderia eu discordar do filósofo se observo que a virtude incomoda grande número de pessoas? Certas atitudes nunca se ajustam nessa passagem de ano. É muita festa... Muito oba-oba.

Também me interrogo: por que comemorar um momento - meia-noite -, se dezembro e janeiro são separados por horas? Não seremos as mesmas pessoas no ano que se finda e no outro que se inicia? Poderia eu mudar minhas atitudes, consolidadas, em minutos?

Foi pensando na importância das metas traçadas, nos relacionamentos entre humanos que me lembrei da história das ostras, que quando são feridas é que produzem pérolas. Pérolas que nascem do sofrimento.

Ao contrário das ostras, o ser humano nada produz quando despeja seu ódio em cima de alguém, destruindo o físico, o espírito e a moral de seu opositor. Deixa feridas que não cicatrizam, como resultado de preconceitos, de mentiras, de inveja.

Difícil lidar com esses sentimentos devastadores. Difícil acreditar em mudanças de fim de ano, em gente que nada tem a ver conosco nem em afetos, nem em afinidades.

Acumulamos sonhos de consumo que não são para o nosso bico, sonhamos com castelos de futilidades como se tivéssemos 'tempo' de usufruir de tudo. Gosto da rotina, da simplicidade do cotidiano. Alegro-me com as coisas que estão ao meu alcance. E assim sou eu, mesmo com as toneladas de fogos saudando os céus, nada modifica.

E nada é mais fantástico do que a vida em si, imaginar o Universo e seus mistérios que nos oferecem uma natureza exuberante. Mas respeito a alegria coletiva, embora saiba que, no mundo dos sentimentos e das comemorações, o amanhã será igual ao hoje, salvo se cada um de nós se propuser à mudanças interiores, independente de data. Aí sim, acredito.


(2015-2016)

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14 comentários:

  1. Linda amiga Taís, assino embaixo desse texto que me diz tudo, eu também não me empolgo com nada que venha de fora de mim mesma, assim como você, acredito que é bom ser alegre, festejar, sonhar, mas pé no chão é tudo de bom e eu amo a simplicidade, o calor de sentir a minha alma, o meu coração, nem caio em comilanças e exageros, pois tudo continua exatamente como foi deixado no último dia do ano.
    Mudança interior, isso mesmo, estar em paz conosco é tudo de bom!
    Amei, como sempre, te ler, de volta ao mundo virtual!
    Feliz ano novo, (de novo), só que não, é tudo continuação!
    Abraços bem apertados!

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  2. TOTALMENTE DE ACUERDO CONTIGO!!!!!!!!
    ABRAZOS

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  3. Que tengas un buen principio de año 2016 lleno de ilusiones.
    Un abrazo

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  4. Querida Tais:

    Te deseo lo más importante, Salud, Amor y Prosperidad en este Nuevo Año 2016 que acabamos de estrenar.

    Un fuerte abrazo.

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  5. TAÍS, sábias palavras...

    Subscrevo.

    Um abração carioca.

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  6. Taís, li com toda a atenção e acho que concordo!
    No entanto digo, por exemplo, que essa tal passagem de hora... dos segundos contados em ordem decrescente até ao dia seguinte, de 2012 para 2013 foi passada por mim no hospital, de braço sobre tala, fraturado a 29 e operado a 1 de janeiro! Essa passagem que devia ser como qualquer outra, não foi e isso aí sim, dói de veras! Dessa vez tive pena de não estar em casa a fazer a contagem decrescente dos segundos... que, no hospital, me pareceram horas!...
    De resto concordo e até o natal já me enerva. É a festa da família, sim. Mas a nossa é grande e festejamos quando nos apetece, quando nos juntamos todos e não quando nos sentimos obrigados a comprar prendas. E eu gosto de dar prendas, mas só quando me apetece e não quando me querem obrigar a isso.
    Sem querer irritar... ouso desejar ao lindo casal um Feliz Ano Novo, com muita saúde!!!
    Beijinhos

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  7. Há muito estou longe da "ordem social" que escraviza nos hábitos e costumes. No "ter de"... Acho isso horrível. Despersonalizado. Respeito o outro, mas "celebrar", para mim, é bem diferente... A cada novo dia, sorrio e agradeço os bons momentos, assim que acontecem, e aprendo com os obstáculos que surgem com aqueles nada agradáveis. Sou bem tolerante, sei respeitar individualidades e aprecio muito quando respeitam a minha. Paz, alegria, felicidade e mais uma tonelada de bons desejos devem ser trocados diariamente.
    Abraço

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  8. Oi Taís;
    Tout c'est la meme chose.
    Sai ano entra outro se você não correr atrás morre no asfalto, pois os grandes espertos("são mais espertinhos")
    Feliz Ano Novo
    Beijos
    Lua Singular

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  9. Como sempre, palavras bem acertadas! Feliz 2016 e tuuuuuuuuudo de bom e obrigadão pelo carinho e nosso dia da cirurgia tá chegando e a barriga ficando com aquele friozinho....Ui!! Mas vamos que vamos!Kiko ficará bem! bjs,m chica

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  10. Penso exatamente como você, Taís.
    Com sua permissão, faço minhas,
    todas, todas as sua palavras.
    Grande abraço amiga, continuemos pois!!!

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  11. Muito verdade isso. A grande maioria das pessoas age por impulso, por modismo. Se pensar, no oba-oba, como disse maria-vai-com-as-outras. Nada muda se você não mudar e num segundo se pode mudar tudo. Beijos, Tais, Feliz Ano Novo!

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  12. Também me identifico completamente com tudo o que escreveu. Nunca tive grande entusiasmo por este tipo de festas, por grandes celebrações que arrastam multidões, nem nada do género.
    Passei a passagem de ano com família e gostei que pudéssemos estar juntos, mas se não pudéssemos, não me importava de passar a mudança de ano, sozinha ou até a dormir, como já aconteceu.

    Enfim, são formas de estar.

    Desejo-lhe um Feliz 2016, com saúde e muita alegria, com a família.

    Um beijinho:)

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  13. Beleza de reflexão Taís, como pode uma noite definir toda uma trajetória?
    Como todas as datas esta é mais uma que se rendeu ao capital, o consumo e chega ser estranho as toneladas de pólvoras dispersas no ar em uma só noite.
    Boa e linda semana com muita paz.
    Carinhoso abraço amiga.

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  14. percebo o que queres dizer, no entanto também entendo de que forma as pessoas tendem a fazer resoluções de ano novo, sentem que vem ai um número novo, um novo começo, e por isso tentam mudar o que acham que não tem resultado até agora.
    um beijinho e desejo-te na mesma um bom ano, que seja um ano recheado de memórias boas :)

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Taís Luso