20 de outubro de 2017

A CIDADE - POEMA DE GRAÇA PIRES

Cidade do Porto / Portugal



                - Graça Pires
           
            Improvisamos a palavra adequada
            para dizer a cidade, alheia e imprevisível.
            Todas as histórias do dia-a-dia se precipitam,
            gradualmente, na estrangulada identidade
            dos habitantes urbanos.
            É por comodidade que saltamos por cima
            dos odores, do lixo, da multidão, da indiferença
            e contornamos a evasão de um tempo arruinado,
            onde nos dizemos ecológicos e solidários,
            e nos indignamos, e coleccionamos protestos
            com que nos agredimos nas horas de ponta.
            Somos, na cidade, os viciados
            de um pseudo-conforto que nos inibe de sonhar.

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Do livro POEMAS ESCOLHIDOS.
Graça Pires nasceu na Figueira da Foz/Portugal. Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Livros publicados: Poemas 1990/ Outono: lugar frágil -1993 / Ortografia do Olhar - 1996 / Conjugar Afectos - 1997 / Labirintos - 1997 / Reino da Lua - 2002 / Uma certa forma de errância - 2003 / Quando as estevas entraram no poema - 2005 / Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos - 2007 / Uma extensa mancha de sonhos - 2008 / O silêncio: lugar habitado - 2009 / A incidência da luz - 2009 / Uma vara de medir o sol - 2012.

Com inúmeros prêmios recebidos, Graça Pires tem a sensibilidade fina e original, talvez a amargura de uma Sylvia-Plath, aliada a um rigor e contensão que dão à sua poesia o necessário equilíbrio. Pela beleza depurada da sua imagética, pela tonalidade melancólica, pelo tratamento profundo de grandes temas como o tempo e o amor, este livro vai decerto contribuir para a plena afirmação do seu talento.
        (Urbano Tavares Rodrigues).


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13 de outubro de 2017

POR QUE TANTOS FERIADOS NO BRASIL?



                        - Tais Luso

Não sei se somos os únicos, mas brasileiro ama feriado e adora emendar um feriado com o final de semana – feriadão. Se um feriado cair na sexta-feira, na verdade a debandada para o litoral já começa na quinta-feira à tarde! Os que ficam nas cidades fazem o mesmo programa: shoppings! Lugar bom para  torrar a minguada grana.

Não entendo por que se diz, por estas bandas, que feriado é bom para encurtar o ano. Fico a pensar o porquê dessa neura de encurtar o ano. Eu não tenho nenhuma pressa de encurtar coisa alguma.  Gostaria é de prolongar o ano, teria a sensação de viver por mais tempo, gostaria de dizer que daqui não saio, daqui ninguém me tira – tipo criança birrenta. E como tal, também não tenho essa pressa para dar adeus ao ano velho. Talvez esteja aí meu aborrecimento com festa de Ano-Novo: o adeus!

Tenho a plena convicção de que aqui está bom, mesmo entre escombros e tsunamis. Mesmo com os enfrentamentos de  maracutaias bandidas numa luta deveras inglória. Mas quero vida-longa. Mar, sol, futebol, samba, cerveja é tudo que brasileiro gosta. Por isso somos vistos como um povo alegreo que não quer dizer que sejamos felizes 24 horas por dia.

Trabalhar é bom, mas é sufocante para os que são mal remunerados. Muita notícia preocupante; muita conta para pagar, planos de saúde cobrando alto e oferecendo pouco. Milhões de Precatórios trancados - governo se fazendo de esquecido do que deve. E mesmo assim somos um povo sonhador, corajoso. Entendo a razão de tamanha alegria com tais feriados: o povo se alegra, esquece da dureza, da política,  fica bonzinho e não faz arruaça nas ruas.
         
Nero, o antigo imperador de Roma, entusiasmava o povo com uma boa combinação de pão e circo. Serão esses tantos feriados uma boa maneira para acalmar e levantar o ânimo dos brasileiros? Tenho visto o contrário, pessoas de saco cheio com tantas necessidades básicas e esses feriados que param o país. Não aliviam nada, ao contrário, uma batelada de lojas e restaurantes estão fechando suas portas diariamente neste Brasil!

No momento atual estamos com a paciência esgotada. Somos um povo alegre, mas não burro. Enquanto o povo trabalha pra valer e muitos ganham uma merreca e pagam impostos altíssimos, nossos representantes trabalham a metade e ganham dez vezes mais! Sem falar nos ladrões que roubam milhões e milhões de reais por mês.

Acho que está explicado por que o povo ainda gosta de tantos feriadões.
Pensem aí.


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7 de outubro de 2017

A GERAÇÃO DOS INFORMATIZADOS NA HISTÓRIA




            - Tais Luso

É obvio que daqui a muitos séculos, os habitantes desse planeta serão outros, não mais esses 7.500 bilhões de inquilinos. Mas seremos muito vasculhados por cientistas políticos, historiadores e filósofos. Ficarão nossas lembranças, nossos feitos, principalmente de uma época curiosa onde se desenvolveu a era informatizada. Seremos o pano de fundo para muitas dúvidas. O porquê de tudo será a pauta de grandes eventos, e quem sabe onde!

Estudarão nossas mentes, hábitos, cultura e política. Estudarão gerações inteligentes, mas muito estranhas e solitárias. Saberão que enlouquecíamos se ficássemos sem Internet, sem WhatsApp por algumas horas.  Saberão o que significam as Redes Sociais e seu alcance.

Perguntarão que mistério envolvia aquelas gerações que criaram um alfabeto de símbolos que lembravam os Hieróglifos usados pelos egípcios durante 3.500 anos? Perderam o hábito da escrita? O que aconteceu? Por que tantas abreviações e emotions? Por que caminhavam por todos os lugares falando ao celular e não largavam um tal de Facebook? Que esquisita aquela gente; estariam doentes, mudos, analfabetos? pensarão eles.

Possivelmente, bem adiante, o mundo terá outra divisão devido aos terremotos, aos ajustes das placas continentais e às armas bélicas que sairão de cabeças enlouquecidas e que explodirão no planeta determinando os limites de tudo e de todos. Para muitas perguntas não encontrarão respostas, apesar de exaustivas pesquisas que farão sobre nós.

Não tenho dúvida que seremos lembrados pelas nossas façanhas. Talvez alguém no futuro, com neurônios superiores, encontre respostas para tantas manobras circenses. E também escavarão nossas tumbas, para estudarem nosso DNA, adormecido num jardim de paz debaixo de luxuosas esculturas, na tentativa de nos entenderem, de compreenderem nossas relações virtuais e solitárias.

Não faremos parte de um novo mundo, mas  seremos um tanto misteriosos para a História. Seremos as Gerações dos Informatizados: dos emotions, dos aplicativos, do WhatsApp, das redes sociais e das manobras políticas nada ortodoxas.

Mas também ficaremos na História com nossas descobertas, nossas virtudes e nossos grandes pecados - sem dúvida.

hieróglifos  egípcios
Essa é a linguagem contemporânea - WhatsApp e Redes

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29 de setembro de 2017

O DIA ESPECIAL



                         - Tais Luso 

Hoje abordo um assunto que sempre chamou  minha atenção. Ter mais idade tem lá algumas vantagens, ficamos mais acesos, mais seletivos. As bobagens, certas futilidades tendem a desaparecer. Se assim não fosse seria sacanagem! A vida não pode ser madrasta, pode dar uma de mãezona: 'cuide ali, vá por aqui, não entre em frias...'
Lembro de um amigo nosso que possuía uma boa adega, por onde andava  comprava excelentes vinhos. Mas guardava os de melhor safra  para tomar com amigos e  parentes, sempre numa data especial. Uma data que merecesse aquela bebida dos deuses. Os melhores eram reservados para um Dia Especial!
Um dia esse amigo faleceu e os seus melhores vinhos ficaram para serem tomados por outros; pelos amigos e parentes. Mas não mais por ele  naqueles dias tão especiais. Cada  parente  levou algumas garrafas. 
Da mesma forma, há muitas pessoas que compram as coisas para usarem num futuro, como roupas, sapatos, bolsas, perfumes... também esperam essas datas especiais para usá-las.
Um dia, olhando meu roupeiro, vi que eu estava imitando minha mãe: tinha lá roupas de 2 anos, ainda com etiqueta, sem uso. Roupas para serem usadas num dia especial, presumo. E pensei: por que isso? Até saíram de moda.
Passou um tempo, minha mãe faleceu e fui à sua casa arrumar e dar jeito em tudo. Ao abrir seu roupeiro senti tanta pena, fiquei tão machucada... quanta coisa que compramos juntas nas nossas idas aos shoppings; quantos momentos de alegria passamos escolhendo tudo aquilo! Mas estavam lá guardadas, intocáveis, e até laços cor-de-rosa enfeitavam as bonitas blusas dobradas com capricho; as roupas especiais. Mas faltou-lhe tempo!
Por que guardar as coisas para um futuro incerto? Por que não beber o melhor  vinho num dia que nos apeteça?
A partir desse fato, mudei. Hoje uso a bolsa que mais gosto nos dias mais comuns; coloco as roupas que mais gosto nos dias que quero. Comemos e bebemos  o que nos apetecer, porque o Dia Especial é aquele em que estamos vivendo. Meus dias são todos iguais. Amanhã, não tenho certeza de nada.

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                                  Juarez Machado aqui: Das Artes (Tais Luso)



22 de setembro de 2017

LIÇÃO DE UM PESCADOR



          

            - Taís Luso


Hoje vou contar uma história que escutei ontem,  dividir  com vocês, amigos.
Estava um pescador a descansar numa rede defronte sua casa. Seu barco, ali ancorado, estava repleto de peixes recém-pescados no mar. Não faltava muito tempo para sua freguesia começar a chegar, e como sempre, vendia tudo o que pescava. No entanto, sempre deu tempo para um bom descanso, entre uma saída e outra para o mar. Curtia, desfrutava muito daquela praia que tanto amava. Um lugar paradisíaco.
Num certo momento, um homem que passava viu os peixes no barco e o pescador descansando em sua rede – feliz da vida. O homem sentiu-se incomodado e parou para falar com o pescador:

— Amigo, vejo seu barco cheio de peixes e você aí deitado na rede! Se colocasse mais barcos no mar e empregasse mais gente, certamente ganharia muito dinheiro; em pouco tempo teria muitos barcos pesqueiros e gente trabalhando para você!! Teria tempo para descansar muito e curtir a vida, olhando o mar.
— Meu caro, o que você acha que estou fazendo agora? Estou descansado sem os incômodos que teria! Não está bom assim?
— Mas você pode ficar rico!!
— Pra quê? Sou  feliz  assim!
O homem partiu sem dizer mais nada.

Pois é, e muitos agem assim, aumentam o número de empregados, triplicam os negócios da empresa viajando muito, compram mansões na montanha e na praia, apartamento em outro país, pulam de cá para lá atrás das melhores aplicações financeiras, e muito mais. Formam um império. Um império, maravilhoso! Empresários de sucesso!!
Passado alguns anos, sempre com muitos incômodos e preocupações, essa gente precocemente envelhecida, gasta boa parte desse dinheiro com tratamentos de saúde e internações. A fortuna vai ser desfrutada, então, por aqueles que nunca precisaram trabalhar: os herdeiros! 
 Porém, cada um tem suas prioridades e sabe de si. Mas penso  nisso.




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15 de setembro de 2017

TEXTOS: CURTOS OU LONGOS ?

Alice Williams - EUA / 1990

        - Taís Luso

Faz muito tempo quando resolvi participar de concursos literários. Minha escolha caiu em crônicas. Mas uma das exigências era o tamanho do texto. Foi nessa época que aprendi, o tamanho, o tanto de laudas que eu tinha de obedecer nas crônicas. Nada longo. Foi uma das observações que segui à risca. E hoje, em meus blogs, tenho mais ou menos um padrão certo. Sigo com naturalidade, mas sempre me policiando em conseguir dizer sem me estender muito, a ‘enxugar’ o texto, isso significa tirar tudo que não interessa ao leitor, para que a leitura não fique cansativa. Dispersiva. Para que tantos adjetivos e penduricalhos? Vejam um exemplo de um texto, que preparei, onde conto um passeio no campo:

O cavalo era baio, de crinas compridas e desparelhas, uma cruza de um belo garanhão chamado Arcônios com uma égua branca chamada Cigana, que vieram da Argentina – país frio ao sul do Brasil -, celeiro de raças puras e fortes, dirigidas mais para o esporte hípico...

Viram que saco? Que importância tem as crinas compridas e desparelhas? O nome do pai e da mãe do cavalo não tem importância, só enche linguiça! São detalhes que não interessam numa crônica. Essa descrição só pode interessar a quem pretende comprar um cavalo. Ver sua genealogia, seu pedigree.
Procuro descrever um personagem com poucas palavras e trabalhar o principal. Encher linguiça é uma expressão usada que significa enrolar no sentido de falar no que não tem importância. 
Uma das coisas que mais aprecio é colocar a ideia no computador e depois dar forma e cortar os excessos. Cortar, cortar sem medo. Mas aprendi isso graças a inúmeros cronistas e contistas que li e continuo a ler. A poesia também me ensinou muito, sintetiza a ideia, e ajuda a dar ritmo e harmonia ao texto. 
Mario Quintana conta, no seu livro Caderno H, pg. 154, que seu professor, nos tempos de ginásio, disse aos alunos na aula de redação: ‘Não adianta escreverem muito, meninos, porque só leio a primeira página, o resto eu rasgo’.
E foi dessa maneira 'delicada' que Quintana ficou eternamente grato ao professor Major Leonardo Ribeiro; ‘foi a melhor lição de estilo, obrigando-nos a reter as rédeas de Pégaso e a dizer tudo nas trinta linhas do papel almaço’.
Também fico grata ao nosso querido poeta Mario Quintana!




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8 de setembro de 2017

A VELHINHA DA FARMÁCIA




- Tais Luso

Saímos do almoço e na volta passamos na farmácia, para umas comprinhas básicas. Chegando na farmácia, esqueci de tirar os óculos escuros, fui ao balcão pegar a senha de atendimento e encontro uma senhora de 90 anos, presumi ser a nossa conhecida do bairro.

Não fixo muito o olhar nas pessoas; primeiro vai os dois beijinhos e depois é que estendo o olhar para os detalhes. Mas dessa vez, talvez por eu estar de óculos escuros, não vi muitos detalhes e traços, mesmo porque quase nos esbarramos. Mal olhei aquela senhora que sorriu de imediato quando me avistou. Era a dona Leonor!! Estava muito bem, fora da cadeira de rodas, até caminhando. Achei que poderia ser um milagre, talvez estivesse frequentando alguma Igreja, daquelas meio milagrosas em que a pessoa levanta da cadeira e sai andando... É, poderia ser isso. Questão de fé. Fiquei contente em vê-la tão bem. Cheguei bem pertinho e dei-lhe dois beijinhos. Pertinho de seus ternos olhos.

  Como está a senhora ?
—  Mais ou menos, minha filha, com uma enorme gripe e com essa conjuntivite que não estou quase enxergando!

Deus meu!! Era tudo o que eu queria! Olhei bem seus olhos, pareciam duas tochas vermelhas!! Notei que ela queria contar-me toda a trajetória das doenças. Não podia me arriscar, dei uma palavrinha final e levantei voo, fui aterrizar noutra farmácia. Pedro custou a entender minha saída meio transtornada. Quando expliquei que os olhos de dona Leonor estavam pegando fogo, e também tossindo como gato engasgado, ele começou a se coçar todo, tínhamos consulta médica agendada. Só me revelou algo que eu não notara: aquela não era a dona Leonor!

Entramos na nossa rua, lá estava dona Leonor sentadinha na sua cadeira de rodas passeando com a ‘cuidadora’, na mesma cadeira, com os mesmos olhinhos opacos e fundos.

Após ver pessoas dessa idade, já com muitas limitações e dependendo dos outros, penso nos absurdos de outras pessoas tão voltadas aos bens materiais, como temos visto diariamente nesse país e pelo mundo. São insaciáveis nas suas aquisições, expõem-se a pesadas e vergonhosas críticas, à condenações, aos xingamentos e violentos ataques nas redes sociais e ao desprezo de várias gerações.

Será o único legado que deixarão: o de uma vida miserável e inútil.


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2 de setembro de 2017

ENTRE ROSAS E ESPINHOS





          - Tais Luso


Trago hoje a belíssima voz de Paula Seling e uma música que  enternece. Abri essa página branca e com tantos assuntos para escrever, senti que a música me calou, dei uma pausa, pois embaralhou um pouco a ideia do que tinha em mente. Vieram várias emoções, vários sentimentos à tona que estou tentando administrar.

No momento sou um misto de perplexidade com minha espécie que se espalha por esse mundo, agindo de uma maneira primitiva sem pensar nas consequências de seus atos. A música me leva  a pensar na vida, e o que tenho ainda por viver. A música tem esse poder de nos tornar mais ternos, mais sentimentais. Dá uma vontade louca de sair abraçando o mundo e desejar paz e saúde a todos! As emoções nos transformam.

Mas no momento o que sinto é muita vontade de que o homem use mais o coração e se dê conta de que está retrocedendo. Vão à Lua enquanto a África e regiões pobres do planeta estão morrendo de fome; especializam-se em armamento bélico quando alguns países não dominam nem os crimes mais comuns porque suas leis são fracas e não há repressão. Estão pesquisando se existe vida em outros planetas, mas não olham para as vidas que existem na Terra.

Tanto já se fez pela humanidade, tantos avanços, porém estamos vivenciando mais um dos tantos momentos inseguros e perigosos que a humanidade já passou. O coreano Kim Jong-un - resolveu surtar: armou-se até os dentes com seu poderio bélico e nós, no meio da festa, tentando descobrir o que pode acontecer se o conflito encorpar! E da cabeça de Trump ninguém sabe o que pode sair. Mas vai sobrar pra muita gente.

Estou em standby -  estado de espera -, como tantos outros aflitos. Mas as pessoas não mudam. Será ingenuidade achar que o coreano Kim Jong-un e o Trump se transformem em dois seres equilibrados e bondosos. Ou que o Brasil, um dia, vire um Canadá, uma Suécia, uma Noruega, entre outros, e que seja, enfim, um país responsável.

Mas escutando essa música, dá para pintar um quadro com as cores da paz. Até quando ficarei  com a alma contemplativa e feliz, não tenho a menor ideia. Mas com tranquilidade vou esculpindo meus dias. E vai dando certo.  Vejam o vídeo que vocês terão a mesma sensação de paz. 


Paula Seling - Caruso

26 de agosto de 2017

COISAS DO BRASIL...



        - Tais Luso

Aconteceu há uns dias. Passamos na loja de um amigo para esclarecermos uma dúvida que tínhamos. Depois de esclarecida a tal dúvida, ficamos batendo um papo sobre a situação política do Brasil, a violência,  quem roubou mais na semana, quem foi preso, quem foi solto, a impunidade total, enfim, todas essas falcatruas. As misérias humanas. Coisa pra lá de primitiva.
As mídias, as redes sociais cumprem perfeitamente sua parte, mas a coisa se alastra tanto que nos intimida, nos perturba, e é exatamente isso que aconteceu com nosso amigo da loja. Não adianta alguém dizer para não termos medo, não sairmos à noite, levarmos vida normal e blablablá. Não; não funciona assim em campo minado. É só andarem, nos grandes centros do país, que os menos avisados terão uma ideia real dos acontecimentos, sem as belas imagens cinematográficas que tanto encantam.
Não há o que defender. Cidades do interior, com menos de seis mil habitantes, estão aprendendo como se explode um Banco e como se usa escudos humanos para barrar a polícia.
Nosso amigo aproveitou-se desse 'presidencialismo brasileiro' para desabafar. Contou-nos, bem baixinho, quase inaudível, que sua esposa chamou a assistência técnica da sua geladeira para ver se resolvia um problema. O preço que deram foi tão exorbitante que melhor seria comprar uma nova geladeira. Na ânsia de vender rápido a geladeira antiga, sua mulher foi ousada demais, inconsequente: anunciou a venda da geladeira colocando anúncio num jornal local. Hoje não se pode mais usar dessa prática.
Chegaram dois homens na portaria do prédio dizendo que foram ver uma geladeira anunciada no jornal. Subiram ao apartamento. Nosso amigo tinha arrumado tudo para trancar-se no quarto com dois telefones: um para avisar sua filha, o outro para avisar o porteiro e a polícia se alguma coisa acontecesse. Enquanto isso, sua mulher atendeu os homens - sozinha!! Lógico que desandei a rir, não tive como esconder essa coisa trágico-cômica. A mulher sozinha... e o cara trancado no quarto, apavorado!!
– Mas tudo correu bem, graças a Deus!! – disse nosso amigo.
Falava cada vez mais baixo, parecia segredo de Estado, prestes a explodir a terceira guerra mundial. Com isso, nos despedimos e voltamos certos de que tínhamos presenciado um amigo com crise de pânico. E assim estão milhões de pessoas nesse país conhecido como abençoado por Deus e bonito por natureza... como cantava Jorge Ben.
Hoje não mais. A cara do amigo narrando o fato era de pavor, e não de abençoado.  Infelizmente as estatísticas nos mostram as atrocidades que acontecem por minutos e por dia. 
 Não é preciso explicar muito quando um país tem altos índices de corrupção e é saqueado durante anos. Pouco  funciona a favor do seu povo.

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