15 de dezembro de 2017

NATAL E ANO NOVO!


         - Taís Luso
O Natal que me emociona não é esse Natal dos presentes, do consumismo. Já escrevi muito sobre Natal e Ano Novo, mas esse ano está difícil de dizer alguma coisa de diferente. Desde o ano 354 d.C. tudo vem sendo dito e pensado. Tentamos falar de sentimentos, mas parece que o coração não tem memória, tudo volta ao seu normal em poucos dias. Nada daquilo que pedimos permanece muito.
Cansei um pouco de andar quilômetros atrás de presentes; muita gente aniversariando no mesmo dia. As lembrancinhas vão tomando corpo, até parece que somos todos ricos e que nosso país está atolado em petróleo. Muitos compram os presentes sorrindo e passam o resto do ano chorando. Natal virou consumismo e desvirtuou a bonita data.
Como não presentear se o apelo comercial está funcionando com todas as baterias ligadas? Como não presentear se a tradicional canção de Natal mexe com toda a nossa generosidade? Como não querer dar o mundo a todos?
Pois é, Natal é pura emoção, mas tudo poderia ser mais simples, menos estressante já que simplicidade é luxo. Relutei em assumir o que penso. Em poder pensar diferente e sem culpa. E só encontrei uma explicação para tudo isso: tradição tem raízes profundas. Se não acontecer um Natal recheado de presentes e comilanças, dá uma culpa dos infernos! Lógico, ninguém quer esquecer sua infância, antigos sonhos de criança, ilusões de um mundo melhor para todos. Mas a coisa perdeu-se.
O sentido do Natal dura o tempo suficiente do peru ser devorado e os presentes abertos. No dia 26 de dezembro tudo volta ao normal. Mas na troca de ano tudo recomeça, fica uma impressão de que o mundo chegou ao seu fim, tal a algazarra Armagedom!! E novamente, tudo o que não sonhamos acontece.
Talvez o que ainda possa me emocionar, seja sonhar com um mundo mais fraterno, mais solidário. Esse sonho emana do mais forte desejo dos  corações  ainda comprometidos com o bem, com o amor. Não quero nada mais.


Desejamos Boas Festas aos queridos amigos e amigas, que tenham muita  paz e alegrias. A todos, meu muito obrigada pelo carinho da convivência. Até breve – volto no início de Janeiro. Meu carinho a todos.

Beijo e abraço -  Taís e Pedro Luso
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Um presente!     Helene Fischer / Adeste Fideles





8 de dezembro de 2017

O CHARME DAS ‘EXCELÊNCIAS’



         - Tais Luso

Pois é, como todos vocês, também tenho viajado por aí, pelas mídias, pelos vários canais de televisão, canais do YouTube, jornais online... e visto coisas. E que coisas!
Debates, entrevistas, crises políticas e acontecimentos mundiais de toda a natureza. A última do Trump - vincular Jerusalém somente a Israel - teve consequências imediatas e devastadoras entre os palestinos e israelenses. Foi mexer no abelheiro que estava mais calmo. A Coreia do Norte não dá trégua com seus foguetões cruzando os céus. A Justiça Argentina pede a prisão da ex-presidente Cristina Kirchner  e tantas outras notícias bombásticas explodindo em todos os cantos a cada minuto. Mas os votos de um 2018 repleto de paz e alegrias a todos, continua!!  Sim, creio que o mundo em conflito vai se alegrar à toa.
Volto ao Brasil, dou uma chegadinha - via TV - numa sessão do Congresso Nacional e vejo um monte de abelhas alvoroçadas com seus ferrões envenenados. No calor das discussões a metralhadora gira incansável. Tudo por causa das Excelências e de seus Modus Operandi.
É estressante assistir a uma sessão do Congresso Nacional onde chega a ser bizarro como se ofendem aquelas Excelências,  que se matam, mas não perdem a pose e a nobreza:
— ‘Vossa Excelência’ é um criminoso, um bandido da pior laia que rouba o dinheiro público! Dinheiro da saúde, da educação...
Criminoso é ‘Vossa Excelência’, não sabe o que diz, trabalha à favor das elites corruptas desse país! Deveria estar na cadeia!
Vossas Excelências na cadeia? É hilário isso!! Ando muito confusa, aprendi, ainda criança, que esse pronome de tratamento era conferido, apenas, às pessoas de alto nível do meio político e diplomático... Mas,  ah, deixa pra lá...tem coisa mais séria, o planeta está explodindo!  Quem sabe  'Nascendo um Novo Homem'...


    
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1 de dezembro de 2017

ENJOOS NO CARRO, AVIÃO, NAVIO... É CINETOSE !


Você é do tipo que enjoa ao andar de carro, avião, navio, ônibus? Então preste atenção, é pra você!
Há muitos anos, ao falar para os médicos nesses meus enjoos, eu saía frustrada, não obtinha nenhum diagnóstico, eu não tinha ideia do que era isso, e por quê. Mas um dia, depois de décadas, já bastante espertinha, resolvi pesquisar na Internet, perguntar de várias maneiras ao Google, e obter o nome certo dessa série de sintomas. Já com o nome anotado, pude descobrir o que era Cinetose.
Cinetose quer dizer ‘doença do movimento’. Causa náuseas, a pressão baixa, vem a fadiga, vômitos e sensação de desmaio quando se anda em carro, avião, ônibus, trem e tudo que se move, levando os que sofrem desse mal a uma situação terrível. 
Esse mal do movimento é um conflito entre a visão, o tato e o labirinto. Fora de um carro a vida é perfeita, ótima, normal. Mas poucos sabem alguma coisa relacionada a isso, e o que é viver com essa tralha por anos, ou para todo o sempre. Caso chova, os sintomas dentro de um carro triplicam, é o pior dos mundos! Não sei a razão.
Ontem, eu e Pedro chamamos um táxi, estávamos já na rua. O cidadão parava várias vezes nas subidas mais íngremes; parava e arrancava aos trancos. E conversava; quanto mais falava, mais eu enjoava! Quem tem Cinetose não pode sentar no banco detrás e com o motorista falando – é fatal!! Tem de ficar quieto, calado. Foi uma situação desastrosa.
Pedro já tinha notado que eu estava branca, mas a criatura não parava de falar. Acho que sofria de solidão. Ao chegar no shopping, à duras penas, pedi uma coca cola (funciona), e melhorei. Mas tomei um remédio para voltar.
Conto isso tudo com o intuito de ajudar alguém que tenha esses sintomas.  Não cometam a imprudência de ir para um parque de diversões com seus filhos ou netos, andar na roda-gigante, na montanha-russa, no carrossel. Essas sensações são incapacitantes.
Se você tem alguns sintomas desses, deixo umas dicas que podem ajudar:
    Tome remédio (para enjoo) uma hora antes de sair de casa - No carro, olhe firme para o horizonte - Não leia nem mexa no celular - Sente no banco da frente - Não coma muito antes da locomoção - Não beba nada com álcool - Não converse dentro do carro - Não escute futebol, esqueça que o Galvão Bueno existe! Cinetose pode dar nos homens, também.  Boa sorte!

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24 de novembro de 2017

CONDOMÍNIOS - DIFÍCIL CONVÍVIO!


             
                - Taís Luso
Hoje me bateu uma vontade louca de falar sobre condomínios e os seus mistérios. A falsa sociabilidade e as bisbilhotices se tornam hilárias. Para morar em condomínio é preciso sabedoria e pouca aproximação, pois  corre-se o risco de uma vizinha simpatizar muito conosco e não sair mais de nossa casa.
Parece que muitos não sabem interpretar uma convenção de condomínio quando esta fala apenas em cães de pequeno porte. Não adianta, tem sempre aquele que acha que seu pitbull é um adorável pinscher miniatura. 
Há muitos anos eu enlouqueci com as aparições frequentes de uma vizinha no nosso apartamento, falava pelos cotovelos e em horas impróprias.  Tive de dar uma esfriada - Yes, We Can!’
Quanto maior o condomínio, pior se torna o convívio; é questão de oferta. O terror principal são as reformas: tira banheiro, aumenta banheiro, rebaixa o teto, troca piso, envidraça a sacada  etc. É de ficar louco. No prédio de uma amiga, um condômino brigou para tirar uma coluna da garagem, atrapalhava suas manobras! Não é bizarro?
Todos querem paz, mas onde se juntam interesses diferentes - sai lambança. Assim é o ser humano: um espiando a vida do outro; um não suportando os defeitos do outro. Onde mora muita gente, a entrada é franca para bizarrices e destrambelhamentos. Mas tem gente com suas virtudes,  se assim não fosse os edifícios pegariam fogo com frequênciaQuando não se concorda com algo excêntrico em reuniões, a impressão  é de que vai explodir a 3ª Guerra. Mas, saber lidar e aceitar os defeitos alheios não é pra qualquer cabeça. Precisa-se ser um pouco herói, sábio, resignado, filósofo, santo, misericordioso, sei lá.
Sentar nos bancos do saguão de alguns edifícios é prato cheio para muitas festeiras. Lá estão elas  tricotando com a língua: se passar por elas alguém muito magro, está tuberculoso; se for gordo, está com problemas psicológicos; se for um careca, é um homem nervoso; se for cabeludo e tatuado, é viciado. Sim, o diagnóstico é preconceituoso e imediato.
É difícil tocar tambor pra maluco dançar. Há regras para um bom convívio, mas nem todos seguem. Mas com o tempo a gente aprende que a vacina indicada não é cara, custa apenas um simpático Bom dia... E vá andando! Não dá para prever a vida de um  condomínio porque todos são parecidos. A matéria prima não muda. É a mesma desde o início de tudo.

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18 de novembro de 2017

CANÇÃO DA MULHER QUE ESCREVE - Lya Luft



- Lya Luft

Não perguntem pelo meu poema:
nada sei do coração do pássaro
que a música inflama.

Não queiram entender minhas palavras:
não me dissequem, não segurem entre vidros
essas canções, essas asas, essa névoa.
Não queiram me prender como um inseto
no alfinete da interpretação:
se não podem amar o meu poema, deixem
que seja apenas um poema.
(Nem eu ouso erguê-lo entre meus dedos
e perturbar a sua liberdade).


- Secreta Mirada – São Paulo /ed Mandarim 1997 pg 25 - relançada pela ed Record em 2005.
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Romancista, ensaísta, cronista e poeta, deixo aqui alguns de seus livros. Lya nasceu em Santa Cruz do Sul, em setembro de 1938 – RS. Formada em Letras anglo-germânicas e com mestrados em Literatura Brasileira e Linguística Aplicada, Lya Luft começou a trabalhar aos 20 anos como tradutora de alemão e inglês. Já verteu para o português obras de autores consagrados como Virgínia Woolf, Günter Grass, Thomas Mann e Doris Lessing, além de ter recebido o prêmio União Latina de melhor tradução técnica e científica em 2001 pela tradução de Lete: Arte e Crítica do Esquecimento, de Harald Weinrich.

Secreta Mirada / 1997 - As Parceiras / 1981 – A Asa Esquerda do Anjo / 1981 - O Ponto Cego/ 1999 - Reunião de família / 1982 - O Quarto Fechado / 1984 - Mulher no Palco / 1984 - O Rio do Meio 1996 – Mar de Dentro / 2002 - Perdas e Ganhos / 2003 – Histórias do Tempo / 2000 - Pensar é Transgredir / 2004 - Histórias da Bruxa Boa / 2004 - Para não dizer adeus / 2005 - O Lado Fatal / 2011. Atualmente escreve uma coluna na Revista Veja.

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10 de novembro de 2017

DENTISTAS – VENCENDO O TRAUMA


          - Tais Luso

Lembro do dia que escrevi a cronica Fobia por Dentistas. Foi uma fase em que só na marcação da consulta eu já ficava baleada. Fobia tem uma explicação: é um grande trauma, que gera um grande medo.
Fui ao Google e vi uma legião de desesperados. Serviu para que eu me conformasse e não ficasse com vergonha de mostrar meu medo - o que me ajudou.
Recentemente, com a motivação de ver meus dentes alinhados e bonitos, fui atrás da solução. O dentista que escolhi inspirava-me confiança, pois já o conhecia. Já sabia da sua capacidade profissional e extrema dedicação.
No primeiro dia me senti como um caminhão desgovernado, ladeira abaixo. Mas me fantasiei de coragem. Eu precisava vencer.
Adentrando no título dessa crônica, quero dizer aos que têm o mesmo problema que tenho com dentistas, que ao decidir lutar contra meu medo e vencer meu trauma, foi um dos dias mais fortes para minhas emoções. Ao vislumbrar o primeiro resultado, ao me olhar no espelho, ainda no consultório, não consegui manter minhas emoções no equilíbrio certo, e minhas lágrimas se juntaram à gratidão e ao carinho com que fui cuidada.
Sim, 'Dr Luis Artur Zenni Lopes', o senhor não cuidou apenas dos meus dentes que ficaram ótimos, mas cuidou das minhas aflições, das minhas dores, do meu trauma sem que eu notasse! Não senti as anestesias, nem brocas e nenhuma intervenção que me angustiasse; o senhor não olhava, sequer, para as tantas horas contínuas que ali ficava. E ainda me passou um parabéns! Não, Dr. Artur - o parabéns é seu pela sua sensibilidade!
Digo aqui que temos como virar o jogo. No tempo certo a gente encontra dentistas ou médicos que se interessem pela pessoa e não só pela doença ou intervenção. Existem profissionais especiais, sim. São esses que sentam, que nos escutam e que tentam sempre uma solução. Esses não deixam o problema do paciente para os terapeutas resolverem, entendem a linguagem técnica e a do coração. Sendo assim, aproveito a oportunidade para, na pessoa do meu dentista, 'Dr. Luis Artur Zenni Lopes' - de Porto Alegre -, homenagear todos os profissionais que se superam não apenas na técnica, mas também na humanidade com que tratam os seus pacientes.

Minha gratidão, sempre.


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3 de novembro de 2017

MULHERES VAZIAS



              - Tais Luso
Hoje escreverei não sobre a mulher guerreira, forte, que tem o instinto para acolher e apaziguar. Não vou falar daquela mulher madura, vencedora e que faz por merecer a honra que carrega. Não quero tratar hoje da mulher culta, da responsável, da trabalhadora. Dessas já falei noutra postagem - aqui - como um ser muito especial.

Quero abordar uma outra mulher que, gostando ou não, faz parte do nosso Universo. E lastimo por ser de difícil digestão. É ela que se deixa levar por uma mídia, cujo objetivo é vender beleza para seduzir e provocar em tempo integral; falo de um ser vazio. Não quero dizer que sejam desleixadas com sua aparência. Não é isso. Mas há anos observo um declínio na maneira de ser de muitas mulheres. Há grande obsessão pelas academias, com o foco em definir toda musculatura feminina para algo mais pesado, de uma estética nada delicada. Também de usufruir de vários procedimentos cirúrgicos – que nem haveria necessidade. Já são bonitas. Mas é uma neura por ter um corpo sarado e provocativo. Não aplaudo essa forma de ser.

Mulher não é só corpo; mulher é espírito, delicadeza, companheirismo, atitude e inteligência. E sedução, na hora certa. Silicone nos seios virou sinônimo de mulher poderosa – a expressão é delas.
Então, lá vão elas com um decote generoso, exibir a nova comissão de frente; lá vão elas com um bumbum novo, enxertado, que lembra aqueles puxadinhos de casa de pobre que vão emendando as peças pequenas; lá vão elas com os lábios de Angelina Jolie que por não ser natural, fica um repolho sem formato; lá vão elas com uma cinturinha tão fina que mostra que o bisturi andou por ali tirando alguma costela. Quanto sofrimento!
Numa entrevista na televisão, com várias dessas mulheres artificiais, uma delas ainda não satisfeita, mostrou vontade em aumentar mais os seus lábios. E a boquinha da figura já estava um gamelão! Essas são as mulheres que se acham poderosas. Confesso que até gostaria de ver seu novo bocão com dentes brancos como a neve. Como era um programa de televisão, veio a pergunta da apresentadora:
Mas vale a pena tanto sacrifício?
Ah, só vale, a gente sente a autoestima lá em cima, os homens adoram!
Putz, isso é de uma pobreza e de um servilismo tão doentio que me nego a comentar mais. Quando a coisa afeta os neurônios é porque a causa está perdida. Então, nada mais resta a dizer.
Mas é certo que um dia, no crepúsculo de suas vidas, essas mulheres entrarão em profunda depressão, não encontrarão mais sentido em suas vidas vazias, até o dia que tudo se vestirá de pó. Que pena.



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28 de outubro de 2017

O MUNDO EM QUE VIVEMOS


           
            - Tais Luso

Minha caixa de e-mails lota com mensagens de paz, de solidariedade, de amor. Aqueles 'PPS' bonitos. Será o mesmo mundo em que vivo? Gostaria, mas não é o mundo em que vivo. Meu mundo, na primeira  encrenca, o sarrafo já desce, os afetos vão para o brejo e mergulhamos no mundo das críticas. O meu mundo tem incêndios criminosos, tsunamis, ódio, crimes, invejas, retalhações, corrupção, escravidão, terrorismo... E tudo vemos através das telinhas.  Quanta ternura e tolerância recebemos em forma de mensagens, um mundo que daria gosto em morar! No meu mundo real também tem um pouco de amor, mas não o suficiente para ser tão belo como essas mensagens que todos internautas recebem.
Na verdade, no meu mundo as pessoas perderam a confiança umas nas outras. Tornaram-se seres desconfiados e agressivos.
No meu mundo as pessoas se matam, se explodem em nome de religiões, futebol e ideologias. Poderíamos ter mais tolerância: se for ótimo para alguém ser cristão ortodoxo, evangélico, ateu, espírita, budista ou maçônico... maravilha! Está fazendo bem pra você, vá lá meu irmão, e seja feliz! A vizinha gosta de assistir programas de televisão apelativos? O que temos eu e você a ver com isso? A casa é dela, a televisão é dela! Como é bom evitarmos bate-bocas. Ou indiretas.
No meu mundo as diferenças físicas incomodam,  o bullying massacra, mata ou deixa marcas. No mundo em que vivo, somos cobrados pelas nossas posturas, ideias e comportamentos. Quem tem ideias incomoda;  quem não as tem, também incomoda; se brigamos, somos tiranos; se deixamos as coisas rolarem, somos um bando de bundões. É difícil acertar o passo.  Ser autêntico não nos dá nenhuma imunidade de ficarmos fora do rolo, porque ser autêntico também incomoda. E as vezes bem mais.
Então é de perguntar: mas o que 'não' incomoda? Nada, no meu mundo não existe essa paz. Está na genética dos humanos serem metidos e encrenqueiros, embora possamos ser, também, alegres, afetivos, solidários e amorosos.  Mas não é a regra principal. A regra mais forte é sermos juízes, é uma característica da nossa espécie, julgar!
Por tudo isso, tenho lido belos poemas, todos cheios de graça, de sonhos e saudosos da infância. Significa que queremos resgatar um mundo mais feliz.
E contudo, outorgamos a outras pessoas, através do voto, todas nossas vontades, carta branca para agirem em nosso nome, mas acontecem  coisas muito estranhas, fazem tudo às avessas. Mas guardo  esse sonho para as gerações futuras: que possam elas viver num país liberto e reconstruído na sua essência e na sua lisura. 
Nada mais. 

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20 de outubro de 2017

A CIDADE - POEMA DE GRAÇA PIRES

Cidade do Porto / Portugal



                - Graça Pires
           
            Improvisamos a palavra adequada
            para dizer a cidade, alheia e imprevisível.
            Todas as histórias do dia-a-dia se precipitam,
            gradualmente, na estrangulada identidade
            dos habitantes urbanos.
            É por comodidade que saltamos por cima
            dos odores, do lixo, da multidão, da indiferença
            e contornamos a evasão de um tempo arruinado,
            onde nos dizemos ecológicos e solidários,
            e nos indignamos, e coleccionamos protestos
            com que nos agredimos nas horas de ponta.
            Somos, na cidade, os viciados
            de um pseudo-conforto que nos inibe de sonhar.

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Do livro POEMAS ESCOLHIDOS.
Graça Pires nasceu na Figueira da Foz/Portugal. Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Livros publicados: Poemas 1990/ Outono: lugar frágil -1993 / Ortografia do Olhar - 1996 / Conjugar Afectos - 1997 / Labirintos - 1997 / Reino da Lua - 2002 / Uma certa forma de errância - 2003 / Quando as estevas entraram no poema - 2005 / Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos - 2007 / Uma extensa mancha de sonhos - 2008 / O silêncio: lugar habitado - 2009 / A incidência da luz - 2009 / Uma vara de medir o sol - 2012.

Com inúmeros prêmios recebidos, Graça Pires tem a sensibilidade fina e original, talvez a amargura de uma Sylvia-Plath, aliada a um rigor e contensão que dão à sua poesia o necessário equilíbrio. Pela beleza depurada da sua imagética, pela tonalidade melancólica, pelo tratamento profundo de grandes temas como o tempo e o amor, este livro vai decerto contribuir para a plena afirmação do seu talento.
        (Urbano Tavares Rodrigues).


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  Ortografia do olhar   / Blog de Graça Pires




13 de outubro de 2017

POR QUE TANTOS FERIADOS NO BRASIL?



                        - Tais Luso

Não sei se somos os únicos, mas brasileiro ama feriado e adora emendar um feriado com o final de semana – feriadão. Se um feriado cair na sexta-feira, na verdade a debandada para o litoral já começa na quinta-feira à tarde! Os que ficam nas cidades fazem o mesmo programa: shoppings! Lugar bom para  torrar a minguada grana.

Não entendo por que se diz, por estas bandas, que feriado é bom para encurtar o ano. Fico a pensar o porquê dessa neura de encurtar o ano. Eu não tenho nenhuma pressa de encurtar coisa alguma.  Gostaria é de prolongar o ano, teria a sensação de viver por mais tempo, gostaria de dizer que daqui não saio, daqui ninguém me tira – tipo criança birrenta. E como tal, também não tenho essa pressa para dar adeus ao ano velho. Talvez esteja aí meu aborrecimento com festa de Ano-Novo: o adeus!

Tenho a plena convicção de que aqui está bom, mesmo entre escombros e tsunamis. Mesmo com os enfrentamentos de  maracutaias bandidas numa luta deveras inglória. Mas quero vida-longa. Mar, sol, futebol, samba, cerveja é tudo que brasileiro gosta. Por isso somos vistos como um povo alegreo que não quer dizer que sejamos felizes 24 horas por dia.

Trabalhar é bom, mas é sufocante para os que são mal remunerados. Muita notícia preocupante; muita conta para pagar, planos de saúde cobrando alto e oferecendo pouco. Milhões de Precatórios trancados - governo se fazendo de esquecido do que deve. E mesmo assim somos um povo sonhador, corajoso. Entendo a razão de tamanha alegria com tais feriados: o povo se alegra, esquece da dureza, da política,  fica bonzinho e não faz arruaça nas ruas.
         
Nero, o antigo imperador de Roma, entusiasmava o povo com uma boa combinação de pão e circo. Serão esses tantos feriados uma boa maneira para acalmar e levantar o ânimo dos brasileiros? Tenho visto o contrário, pessoas de saco cheio com tantas necessidades básicas e esses feriados que param o país. Não aliviam nada, ao contrário, uma batelada de lojas e restaurantes estão fechando suas portas diariamente neste Brasil!

No momento atual estamos com a paciência esgotada. Somos um povo alegre, mas não burro. Enquanto o povo trabalha pra valer e muitos ganham uma merreca e pagam impostos altíssimos, nossos representantes trabalham a metade e ganham dez vezes mais! Sem falar nos ladrões que roubam milhões e milhões de reais por mês.

Acho que está explicado por que o povo ainda gosta de tantos feriadões.
Pensem aí.


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