19 de agosto de 2017

AS MÁGOAS



                -Tais Luso

Quem de nós não precisa desabafar de vez em quando? Desabafar faz bem, alivia a alma. Falar, conversar... Muitas vezes temos a sorte de encontrar a pessoa certa, solidária e amiga. Mágoas doem, nos deixam vulneráveis e a dor é incessante!
A mágoa é consequência de alguma provocação, mas seja o que for, bate direto quando estamos com nossa estima abalada. E quanto mais abalada, mais forte se torna o choque. Mas tudo isso faz parte da vida, das emoções que temos de enfrentar. São as pedras do nosso caminho.
Mas desabafos nem sempre adiantam, o bom é tentar esquecer os aborrecimentos, as mágoas e tocar a vida, se possível for.
Por vezes lançamos mão de uma defesa tosca que nem sempre é aconselhável. Usamos palavras inconsequentes e ataques ferinos. E ficam ‘elas por elas’, como o diabo gosta, como se isso adiantasse ou resolvesse alguma coisa. Tudo nivela-se, sempre por baixo. Mas o ser humano é assim, ora maravilhoso, ora nocivo.
A mágoa cumpre sem dó o seu papel de derrubar, envenenar, esculhambar com a autoestima de alguém. E aí tudo vira uma explosão, a verborreia corre solta e a bagunça está feita para o circo pegar fogo. Vale a pena? Alguns preferem a desforra. Mas faço apenas uma reflexão. E as decisões são variadas, livres e soltas.
É difícil equilibrar-se dentro desse triste e dolorido quadro. Cada um tem seu jeito, porém coração magoado adoece, e o resultado das mágoas se mostra no corpo, com as doenças oportunistas. Entram quando deixamos uma porta aberta...O nosso emocional trabalha sem parar, é ladino.
A verdade é que jamais mudaremos as pessoas. Magoados ficamos, mas, por outro lado, quando resolvemos esse impasse, saímos fortalecidos. É mais uma lição entre tantas. A vida é extremamente bela, e não há mais tempo para desperdiçar lágrimas, mesmo as que apenas gotejam. Que dirá aquelas que escorrem como cascatas...
Chega um momento que, mais do que nunca, temos a obrigação de olhar mais para o nosso caminho. Ele poderá ser bastante longo, ou acabar após a primeira curva...  mas a  escolha é nossa. A gente aprende a filtrar o que merece ficar conosco.


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13 de agosto de 2017

CADA LOUCO COM A SUA MANIA


        - Tais Luso

Quando estou gripada, minha primeira preocupação é a consideração  com os outros: não passar adiante meus milhões de vírus. No Japão, as pessoas acometidas de gripe andam com máscara na rua e em todos os ambientes. Aqui não se tem esse cuidado, o indivíduo gripado badala nos cinemas, teatros, restaurantes e elevadores. Tossem e espirram livres, leves e soltos sem nenhum constrangimento.

Lembro, com clareza, da gripe suína em 2009, que se espalhou por vários países. Infelizmente saiu da lembrança de muitos, a tal de H1N1 e suas complicações. E muitas outras epidemias foram esquecidas, inclusive a gripe Espanhola de 1918, que foi a mais letal do mundo, matando por volta de 40 milhões de pessoas. Gripe pode matar!

Confesso que minha família fica meio desnorteada quando alguém gripado, que funga, que tosse e espirra vem se achegando. Alguém que tosse ou espirra alcança uma área grande para contaminar. Gripe traz complicações, principalmente aos idosos e crianças. Os hospitais ficam lotados.

Ontem fomos ao Banco. Chegando lá não conseguia passar na porta giratória, e um sujeito na saleta tossia como louco, o que me deixou nervosa. Mais do que depressa coloquei na caixa receptora o meu celular, chaves, caneta, óculos metalizado e assim mesmo a porta não destravou. E o sujeito por lá, espalhando seus horrores. Então resolvi dizer ao segurança que naquela minha pequena bolsa não caberia uma metralhadora e, em vez de me barrar,  pela acusação de algum metal, deveria ver quem assalta esse país e quem explode os Bancos!

No final viram que era uma fivela de metal que fechava minha bolsa, mas aproveitei para destrambelhar um pouco em nome dos honestos desse país. Não tive a ideia de assaltar o Banco e não tenho cara de bandida. Por enquanto...

Sentamos. Do nosso lado, sentou o mesmo infeliz  que fungava e tossia. Pedro resolveu surtar sem cerimônia: levantamos e fomos sentar no outro extremo da sala, quase fora do Banco.

Não levou muito tempo para sermos atendidos, mas contamos, ao gerente de nossa conta, o porquê estávamos sentados quase fora do Banco e não na fila defronte à sua mesa. O gerente deve ter nos achado muito esquisitos. Foi nesse ponto da conversa que nos contou que também teve problemas naquele dia: pegou um ônibus e sua vizinha de poltrona estava muito gripada, tossia muito... ele não sabia se descia do ônibus ou abria a janela lateral e seguia viajem com o focinho para fora...

Vi, então que nossa neurose tem lá sua legião de seguidores e quem sabe suas razões! Foi bom ter constatado que tem mais loucos no mundo e que podemos surtar com mais liberdade! Fiquei com vontade de surtar mais pesado, estilo punk. Mas fica pra próxima!! Nada que não se repita nesse país. 
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5 de agosto de 2017

O MARTÍRIO DE UMA INSÔNIA!



- Tais Luso
Penso que sou notívaga. Noto que meu cérebro fica mais disposto à noite. As desgraças e as alegrias dos noticiosos, as ideias para minhas crônicas, tudo aflora melhor à noite. Meus pensamentos entram noite adentro. Nada tem hora...
No meio da noite, ouço no rádio o anúncio de uma Funerária dizendo-se  A mão amiga nas horas difíceis. Putz... que coisa mais esdrúxula. Imediatamente subo o Dial do rádio, não sou amiga de Funerária nenhuma. Fui para outra rádio, na qual um programa sobre doenças toma conta da emissora boa parte do fim de semana. Mas nem morta ouviria essa gente obcecada. Meu pai tinha a mania de ouvir rádio lá pelas madrugadas, quando perdia o sono. Lembro que aquilo me preocupava. Mas o fruto  caiu ao pé da árvore.
Nas noites dos fins de semana passo trocando as estações na esperança de encontrar algo que me tranquilize, mas um certo pastor, muito desesperado, me coloca em parafuso quando fala do Armagedom e no final dos tempos. Incrível, como a criatura berra!! Sinto que estou à beira de um ataque. Desligo o rádio novamente.
Pego as Cem Crônicas Escolhidas – de Rubem Braga – e tento me acalmar, mesmo com a luz fraca da cabeceira para não acordar Pedro. Mas não consigo me concentrar muito em Rubem Braga. Sinto-me muito acesa. Ligo o rádio novamente. Entre uma música e outra o locutor anuncia um crime, uma degola, um esquartejamento nos quintos dos infernos. Cutuco Pedro e lhe conto o esquartejamento. Nada! Falo sozinha. O homem dorme como um anjo. Me apavoro com o esquartejamento e a degola até o dia raiar e poder, então,  dividir a desgraça. Pego o celular e abro meus e-mails. Lá estão os mesmos conselhos pela centésima vez, mandaram-me os sites:
As 1000 músicas para você  ouvir antes de morrer.
Os 1000 Sites para você clicar antes de morrer.
As 1000 cidades para você conhecer antes de morrer.
Os 1000 livros para você ler antes de morrer.
Os 1000 filmes para você assistir antes de morrer.
Caramba, será que terei tempo de cumprir essas 5.000 mil tarefas antes de morrer?
Isso bastou para que eu ficasse pensando  no meu tempo... Já entrei por caminhos tortuosos e fiquei filosofando na solidão da madrugada. Quanta criatividade mal direcionada!
Nos dias de semana o negócio melhora; às 5h inicia um programa jornalístico, com as mais novas notícias, saindo do forno, parece uma sintonia obrigatória. Desconfio que sou programada para escutá-lo. Adoro, não perco nada!!
Assim que começa o programa, que escuto um simpático Bom-dia Ouvintes, meus olhos fecham e mergulho no mais profundo sono da vida! Às 8h. toca o despertador, o objeto mais odiado por mim. Aquilo me alucina, mas me controlo, a vida diurna começa normal, como se a noite tivesse sido tranquila. Levanto, apronto nosso café da manhã, regado a conversas e planos... As 3 horas de sono não foram suficientes, mas trabalho meu humor e dou uma dormidinha à tarde.
Talvez seja à noite que tudo faz sentido para alguns...
 Mas o preço é alto, é terrível uma noite de insônia.


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28 de julho de 2017

CURIOSIDADES DE OUTROS TEMPOS - anos 50 e 60

Coleção de xícaras de cafezinho - moda forte nos anos 50, 60...


Olá, amigos, pensando na postagem para esta semana, fiquei com vontade de viajar, no tempo e trouxe lembranças das décadas de 50 e 60. Numa outra postagem desembarcarei nos anos 20, 30, 40... no quesito 'variedades'. E assim vou indo, talvez me encontre com 'Michelangelo, no Renascimento'... Tenho certeza que vai ser divertido pesquisar, me perder ou me encontrar no tempo. Vamos juntos nessa? 
Recordar ou conhecer as propagandas das épocas, como viviam nossos antepassados  e o que usavam vai ser proveitoso.
Essa postagem é para desopilar, puro lazer. Boas recordações a todos! 
 Vamos ver do que lembramos... Simbora!!!

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Coleções não faltaram, eram uma diversão as pessoas colecionarem caixinhas de fósforos, corujas, carrinhos, relógios, santos, dedais, latinhas de cerveja, chaveiros, bichinhos de cristal, santos, selos, moedas... uma infinidade de coisas.

Latas de cerveja -  Mil coleções,  a turma se divertia...               

  Esses funcionavam!! Era investimento e de boa aplicação.

Aqui se via VHS pela TV - 
Criado em 1950, porém só em 1970 foi iniciado  para o setor doméstico.          

 Nos Correios se usava goma arábica  assim - de pincel - para fechar as correspondências,  'melecava' tudo!


 Estacionar um Galaxi Sedan 1963 era tortura...  

Mas... Depois veio o pequenino  Gordini 1964 ... 

 O diploma de datilografia era obrigatório em concursos públicos.
Hoje...  tecla-se com dois dedinhos e... tudo bem!

                                                                          Encarou esse suquinho?

  
        E daí, passaram bem o verão?                           Forma para pizza - ótima                                             
Ah!! que confiança, que luxo!! De 1927 a 2006 - Saudades!
Viação Aérea Riograndense (daqui!)  Não se faz mais uma Varig...

   Chegaram a usar esses...secadores?              

Nada era descartável...fraldas eram lavadas  aos montes!

Mata mosquito: alguém morria... quase sempre os mosquitos!
Chamava-se Boa-noite!   O que  se respirava...!


                                            Radio/pilha  anos 50 e 60  Sucesso!                                              


Hun... bem penteados, os moços...

           Sapato colegial feminino! - Virgi...                  Na crista da moda!

Vai, filhinha, troca de canal... Vai lá filhinha, baixa o som...
A TV mais torturante do mundo, sem controle remoto! Putz.

Cobertores PARAHYBA: lembram da musiquinha?

Presentinhos nos 'Dias das Mães' durante décadas... E + panelas! 
Uf!  Mãe sofre...


                     Relógios de Cucos -  eram lindos!               
  

Quem inventou esse protetor de fogão horroroso?
As próprias donas de casa!


Pós-barba, foi moda...             Hun...quase morriam!
   
Tiveram sua época! Crush - Mirinda - Grapette

     
Eletrola anos 50

   
Vejam essa pérola!! Fantástico! 
 



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21 de julho de 2017

SOLIDÃO – COMO É TRISTE !

 


Tais Luso

Não conheço muitas pessoas solitárias, mas conheço o bastante para ver o quanto é difícil para elas enfrentarem as dificuldades pelas quais passam. É possível que as pessoas solitárias necessitem de ajuda dos familiares, dos colegas de trabalho. Mas, por outro lado a situação requer cuidados, nossa intromissão pode não ser bem-aceita, por melhor que sejam nossas intenções. Talvez o melhor seja a ajuda de um psicoterapeuta. O problema do solitário não é falta de diversão. É um estado de espírito, por vezes triste, o qual  não conseguem resolver.

        Porém nada tem a ver com querer seus momentos agradáveis, de querer estar a sós. Isso é por opção, inclusive para criar, escrever, pintar, ler...

Os solitários sentem falta de calor humano, de atenção, de aconchego, de solidariedade, de sentir-se incluído na roda. Por outro lado carecem de disposição para procurarem a integração com outras pessoas com as quais sintam afinidade.
Ninguém é solitário porque gosta. Mas é uma situação triste se a pessoa não curte ficar a sós. Geralmente se coloca a culpa na vítima, ‘está colhendo o que plantou’. Não é por aí o tal julgamento. Seja pelo motivo que for, a solidão assusta, deprime e deve ser pensada para poder, no mínimo, ser apaziguada. E não é um batalhão de amigos e inúmeras viagens e diversões que removerão os problemas e as carências de um ser solitário.
O solitário não está preparado para mudanças bruscas, por algum motivo se isolou, e mesmo sem razão alguma está machucado. Não acredito que alguém, em sã consciência, chegue ao ponto de querer viver assim. São pessoas cuja alma encontra-se em agonia, uma mente fragilizada, desanimada. São pessoas que se conformam com a situação e assim prosseguem dentro de um quadro de infelicidade. Não porque querem, mas porque o solitário já desacredita das amizades e de alegria. Desacredita de si e de uma vida afetiva.
Mostra um lado obscuro da vida a sós, a complexidade dos relacionamentos, a falta de afetos, tanto em dar como receber. Não sabe como resolver e isola-se. 
Todo o ser humano procura a plenitude de sentimentos. A felicidade é simples, não requer grandes saltos. Felicidade requer afetos. Todo cuidado é pouco para que algo mais grave não se instale, como uma das epidemias do século XXI: Depressão. 
Dá o que pensar  o que diz o dramaturgo  Eugene O'Neill (1888/1953):
A Solidão do homem não é nada senão o medo da vida... 


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14 de julho de 2017

CANÇÃO NA PLENITUDE


                    - Lya Luft

                    Não tenho mais os olhos de menina
                    nem corpo adolescente, e a pele
                    translúcida há muito se manchou.
                    Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
                    agrandada pelos anos e o peso dos fardos
                    bons ou ruins.
                    (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

                    O que te posso dar é mais que tudo
                    o que perdi: dou-te os meus ganhos.
                    A maturidade que consegue rir
                    quando em outros tempos choraria,
                    busca te agradar
                    quando antigamente quereria
                    apenas ser amada.
                    Posso dar-te muito mais que beleza
                    e juventude agora: esses dourados anos
                    me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
                    e não menos ardor, a entender-te
                    se precisas, a guardar-te quando vais,
                    a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
                    e sobretudo a força – que vem do aprendizado.
                    Isso te posso dar: um mar antigo e confiável
                    cujas marés – mesmo se fogem – retornam,
                    cujas correntes ocultas não levam destroços
                    mas o sonho interminável das sereias.

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Gaúcha de Santa Cruz / RS - a escritora Lya Luft iniciou aos 20 anos uma carreira de tradutora de literatura em alemão e inglês. Formada em Letras anglo-germânicas e com mestrados em Literatura Brasileira e Linguística Aplicada, Lya Luft trabalha desde os 20 anos como tradutora de alemão e inglês. Já verteu para o português obras de autores consagrados como Virgínia Woolf, Günter Grass, Thomas Mann e Doris Lessing, além de ter recebido o prêmio União Latina de melhor tradução técnica e científica em 2001 pela tradução de Lete: Arte e Crítica do Esquecimento, de Harald Weinrich. Romancista, ensaísta, cronista e poeta, deixo aqui alguns de seus livros. Lya nasceu em Santa Cruz do Sul, em setembro de 1938 - RS.
As Parceiras / 1981 – A Asa Esquerda do Anjo / 1981 - O Ponto Cego / 1999 - Reunião de família / 1982 - O Quarto Fechado / 1984 - Mulher no Palco / 1984 - O Rio do Meio 1996 – Mar de Dentro / 2002 - Perdas e Ganhos / 2003 – Histórias do Tempo / 2000 - Pensar é Transgredir / 2004 - Histórias da Bruxa Boa / 2004. Atualmente escreve uma coluna na Revista Veja.




8 de julho de 2017

PESSOAS PARECIDAS? SÓ DÁ ROLO...



     -Tais Luso
Meu marido tem um irmão muito parecido com ele – fisicamente. Estávamos no supermercado, quando uma senhora chegou, puxou-lhe o braço e o cumprimentou, muito saudosa. Fez uma festa. Dois beijinhos pra lá, dois pra cá.
– Quanto tempo que não nos vemos, meu amigo!
Eu estava por perto e notei que Pedro não estava entendendo nada. Perdido, passou a desconfiar de sua memória: quem seria aquela mulher? Estava atrapalhado, poderia ser uma  antiga cliente, uma colega da faculdade... E dizer que não a conhecia seria o mesmo que dizer: você mudou muito e não a conheço!
Percebi, era mais um dos tantos equívocos que acontece com ele. Mas como mulher vive mudando os cabelos, emagrece, engorda, estica e corta tudo... a coisa fica delicada. 
Aproximei-me para falar com ele, e essa senhora ficou a me olhar, meio surpresa: eu não era a mulher que ela conhecia! Senti isso em seu rosto. Ficou surpresa quando apareci! Seria eu a segunda? Éramos um trio em francas desilusões. Piorou tudo quando ela me perguntou onde seria, esse ano,  o ‘Festival do Queijo’, e quando iríamos! 
 Ué,  o que tinha eu a ver com um festival do queijo naquele encontro? Lá sabia eu sobre queijo!! E comecei a divagar tentando adivinhar onde a mulher queria chegar. Mas não demorou muito para ela me dizer:
– Pois é, vocês nunca mais me convidaram para irmos ao festival!
Na tentativa de salvar o Pedro (mais confuso ficou com o tal queijo), resolvi logo a história...
– Mas não faltará oportunidade! – disse eu  vamos combinar!
Sei que dei o tiro de misericórdia, mas era tarde para remendar as coisas, para dizer que nunca a vi na vida e não iria a festival algum. Ou conserta-se o mal entendido no começo, para não deixar a história tomar corpo, ou leva-se o equívoco adiante e aguenta-se o tranco. Mas como Pedro não guarda muito as fisionomias, a lagarta virou uma centopeia de 100 pernas. E ficamos no nhenhenhe...nada fechava com nada. A essas alturas seria tarde  dizer-lhe que Pedro não era o irmão e que eu era casada com Pedro!!
Fui colocar as coisas no carrinho, ao regressar a mulher tinha sumido do supermercado. Deve ter achado  o ‘casal’ muito estranho, não lembravam da inesquecível viagem para o festival do queijo de anos atrás. Imperdoável!
Estive pensando em Pedro deixar crescer a barba ou cavanhaque...alguma coisa que pudesse evitar esses mal-entendidos. Mas recebi um ‘negativo’!
Tudo isso por ter um irmão muito parecido...Imagino se fossem gêmeos! Mas histórias do cotidiano são assim, tudo meio atrapalhado, quando poderia ser bem mais fácil.


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