3 de novembro de 2008

ANOREXIA: UM ALERTA AOS PAIS

- No espelho...
-Taís Luso de Carvalho

 

Infelizmente somos reféns de uma sociedade, que estipula padrões para tudo. E pagamos um preço alto quando entramos em canoa furada. As pessoas anoréxicas têm uma obsessão por um certo tipo de beleza: a magreza. Valorizam demais um corpo magro adquirindo um medo exagerado de ficarem gordas. Para estas pessoas não existe o meio-termo na alimentação: é oito ou oitenta.

Os que mais se preocupam com esse padrão de beleza – equivocado - são as manequins, os jóqueis, as atletas olímpicas, bailarinas e atrizes. Mas não quer dizer que nós, que vivemos longe dos holofotes, não podemos vir a sofrer desta doença.

Não se conhece, por completo, as causas que levam uma pessoa à anorexia. Sabe-se, apenas, que é um pacote: fatores psicológicos, sociais, culturais e uma predisposição genética que levam ao desenvolvimento da doença.

A anorexia tem certos rituais: o que comer, onde e quanto. A neura são as calorias: 200 kcal por dia. E o emagrecimento é rápido e calculado: elas comem e devolvem; tomam diuréticos, laxantes e 'malham' em excesso, se houver dinheiro para isto. Contam os dias, e cada dia é uma vitória quando perdem os quilos esperados. Anorexia e depressão são coisas para psicólogos, clínicos, nutricionistas e medicamentos, não adianta um papo amigo. O tratamento é demorado e deve ser acompanhado para prevenir as recaídas, que ficam em 25%.

Para a família, é difícil perceber o problema devido a vários fatores: no convívio diário não se percebe que a jovem está em processo de emagrecimento, ela passa a usar roupas folgadas, não fala em comida. Muitas delas se isolam da família, nos horários das refeições, dizendo que já comeram.

A anoréxica não interrompe o processo, pois ao olhar-se no espelho obtém uma visão distorcida de seu corpo. Enxerga-se gorda, sempre gorda: a distorção das formas. Com o tempo, o processo de emagrecimento torna-se mais rápido, pois o corpo não tem mais de onde tirar nutrientes para suprir a falta diária. Não tem mais nada  armazenado.

Então a família começa a perceber o problema quando a saúde já está comprometida: depressão, ansiedade, hipotensão, anemia, redução da massa muscular, falta de menstruação - pela baixa hormonal, intolerância ao frio, desidratação, osteoporose e, mais tarde, a infertilidade. Nessa fase, começam os tratamentos com psicólogos e nutricionistas para o alimento ser reposto, gradativamente. Em casos especiais - com risco de morte - é preciso internação hospitalar. Infelizmente, já ficamos sabendo de alguns óbitos.

Ao contrário do que pensam, o bonito é um corpo saudável e nutrido. Acontece que, durante muitos anos a meninada foi instigada a ficar na base da saladinha bem lavada e um anêmico peixinho insosso... E, aos nossos olhos, um apavorante desfile de meninas em formação, comendo montanhas de verdes e nos deixando em estado de perplexidade... Tem menina por aí que até hoje não sabe o que é feijão.

Pena que o padrão de beleza imposto pela sociedade e meios de comunicação está associado à magreza. E o sonho de muitas meninas de 13, 14 anos ainda é a passarela. O que teria que mudar seria o modelo de beleza exigido para fotos de publicidade e para desfiles de moda. Lançar no mercado meninas mais saudáveis.

Mas, enquanto o pessoal de moda e da mídia não tirarem da cabeça a idéia de que o belo está na magreza, no osso, continuaremos a ter jovens doentes, às vezes, nossos parentes ou amigos. Basta ver a cara de famintas e mal-humoradas quando pisam na passarela. Uma coisa leva a outra. Mas a culpa não é delas: elas são as vítimas.
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6 comentários:

  1. Meu nome é Alex Primo e sou professor do programa de pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. Estou realizando uma pesquisa sobre blogs de Porto Alegre. Gostaria muito de poder contar com sua presença em uma entrevista em grupo que realizarei na Faculdade de Comunicação da UFRGS na próxima quinta-feira, 4 de dezembro, às 19h. Posso contar com sua participação? Por favor responda para limc arroba ufrgs.br


    Abraços,

    Alex Primo
    Professor PPGCOM/UFRGS
    - Blog: http://alexprimo.com
    - Livro: http://www.ufrgs.br/limc/livroimc/
    - Laboratório de Interação Mediada por Computador: http://www.ufrgs.br/limc

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  2. Olá, Tais,

    Pude ver que você visitou "minha casa", volte sempre e deixe sua opinião sobre o que achou, isso nos ajuda a melhorar!!!

    Gostei do seu blog! Entre várias, esta postagem me chamou a atenção, estou pensando em fazer uma postagem como esta. Ao contrário de você, não acho que os mais atingidos sejam os famosos porque têm que mostrar uma boa forma, mas, os que estão do outro lado da telinha, pois as pessoas costumam imitar demais o que veêm na TV e infelizmente se deixam levar por isso.
    Sabemos que o que na verdade importa é tentar alertar sobre esta doença e conseguir ajudar a algumas pessoas.
    Parabéns pela postagem!

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  3. tais luso19:16

    Oi, Lola, gostei muito de tuas visitas nos 2 blogs.

    Olha, nós estamos dizendo a mesma coisa! Falei bem no começo, que as meninas que não estão na 'vitrine' espelham-se nas manequins, artistas, bailarinas etc. Em suma, é o sonho de muitas: serem iguais às famosas. Esta doença não escolhe classe social, mas começa por mexer com a vaidade humana. Depois segue com mil complicações.

    Um beijo, amiga, obrigada!
    Tais

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  4. Olá... Encontrei seu blog por acaso.. e estou aqui.. a comentar.. Vc faz parecer.. que os meus problemas.. possam parecer tão simples... Como se fopsse so estralar os dedos... e eu pudesse voltar ao normal.. sab pq mtas meninas como eu morrem anualmente: O tratamento nem sempre e acessivel.. a droga de uma conseulta com um pisicologo eh R$ 160,00 cada.. e os medicaments antidepressivos um absurdo...
    Mais em fim... gostaria... de que vc vizitasse meu blog... vc seria mto bem vinda... Vc entenderia como mta de nos se sentem... e nem sempre eh a beleza q colocamos em primeiro lugar qdo chegamos a essa decisão

    ly.anna.zip.net


    bjokas

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  5. Oi, Anna, já salvei teu blog para lê-lo por inteiro. Após, te enviarei um e-mail, OK?
    Não sabes o quanto fiquei gratificada com tua visita...

    beijos, querida. Até mais.
    tais

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