17 de outubro de 2013

SIM, SOMOS ESTRESSADOS !



- Tais Luso de Carvalho

Estava com minha amiga Rose, numa loja de artigos para artesanato, quando lá pelas tantas percebi que minha amiga surtou ao ver um camarada com herpes labial. Disse-me, ela, que precisava ajudá-lo com uma cura espiritual: colocar a mão em sua cabeça e fazer uma oração pro herpes do camarada ir pro brejo. Fiquei apavorada; nunca imaginei em participar de tal cena. E me mandei para o canto oposto da loja. Mas dei uma olhada, meio de esguelha, e vi que o pobre do rapaz ficou surpreso e constrangido pela invasão. Cruz-credo. 

Ao lembrar-me do herpes do rapaz fiquei pensando no nosso dia-a-dia estressante. Muitas doenças de pele são de fundo emocional, uma vez que a pele é a proteção do corpo, é vulnerável às emoções. Através desse órgão - a pele -  ficamos sabendo como estão as coisas. Sinais de fadiga, de desilusão, de angústia, de remorso, de raiva, de insatisfação, de cobranças alheias, tudo fica à mostra. Quando a carga é pesada demais, o corpo grita; pede ajuda. O vitiligo, a acne, a psoríase, o herpes e outras doenças são, muitas vezes, consequências de um sistema emocional em pane, pedindo pelo amor de Deus uma providência. 

Hoje está na moda se dizer estressado. É bonitinho, é  status, a criatura mostra ser uma vencedora. Vivemos numa época que levar uma vida mais descansada parece  um sacrilégio.

Uma visitinha básica a um psicanalista, neurologista ou psicólogo na maioria das vezes é sigilosa; temos medo de expor nossa parte emocional que talvez ande meio mal das pernas. Parece que a cabeça não faz parte do corpo. Porém, mostramos ao mundo nosso novo sorriso; a nova comissão de frente - transbordando de silicone -, ou o novo nariz arrebitado. Isso é permitido.

Ao dizer que estamos estressados, na verdade queremos esconder que estamos enlouquecidos. É uma loucura meio superficial, não agride ninguém,  e  ninguém se importa. Já estamos acostumados a viver num certo desequilíbrio, e não nos damos conta da gravidade de um estresse.

Somos campeões em encrencas; nada relevamos. Trabalhamos como loucos porque a mídia nos empurra de tudo e temos de exibir ao nosso círculo de amigos e parentes. Não conhecemos muito bem o gerente do nosso Banco porque não passamos de uma peça de engrenagem; não temos mais o médico de família que confiávamos e muitas coisas que perdemos ao longo dos anos. Desconfiamos do advogado, do dentista, do mecânico, do eletricista,  do zelador e precisamos consultar inúmeros profissionais para confirmar se o primeiro diagnóstico está correto. Estamos muito mais desconfiados do que tempos atrás. Lembro, quando criança, que não escutava nada sobre estresse. Nossos pais tinham tempo e prazer em sentar na calçada e jogar conversa fora de vez em quando.

É difícil viver num mundo de cobranças: temos de explicar o porquê  gostamos de música clássica e não da sertaneja; por que somos evangélicos, espíritas, católicos ou ateus;  temos de comemorar todas as festas do ano porque todos comemoram... E por aí vai.

Acho saudável chutar o balde de vez em quando e dar um basta... Mas com calma, nada que estresse. Pra muita coisa é necessário um...FUI! E sem delongas.




18 comentários:

  1. Taís,

    Passei por um grande estresse há dois anos - a perda de meu pai - e a cara estourou: arranjei uma coisa chamada rosácea, uma grande mancha vermelha no rosto. A mancha só foi embora alguns meses depois, com o coração mais tranquilo e a alma mais leve.

    Acho que deixei de me estressar quando percebi que não dá para brigar com a vida, quando a gente percebe que há uma força maior que nos guia e que faz com que o melhor para nós aconteça, mesmo que não consigamos perceber - naquele momento - que aquilo é o melhor.

    As circunstâncias estão aí, não posso mudar a maioria delas, mas posso mudar minhas atitudes, e é isso que tento fazer todo santo dia.
    Não é fácil não...

    Grata pela visita e grande abraço,

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  2. Que legal e boa de ler, pois é verdadeira! Temos mesmo que escolher o que queremos e não nos deixar levar pelo que outros RESOLVEM ou querem. Estou numa fase da vida e me dou já o direito de dizer muitos Nãos ao que não me agrada ou um FUI, quando me afasto de complicações... beijos,tudo de bom,chica

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  3. Limerique

    O dia-a-dia nos deixa muito mal
    Mexe os nervos, com emocional
    Vivemos no fio da navalha
    Por vezes jogamos a toalha
    E até viramos notícia de jornal.

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  4. Olá!Bom dia
    Taís
    Como vai?
    gostei do episódio "herpes labial" com sua amiga Rose,
    ...esta é uma reflexão que vem tomando conta de meus pensamentos há muito tempo. Estamos vivendo um momento muito complicado em nossas vidas. Percebo que a questão tempo nem é tão importante assim, mas sim a forma como estamos administrando este tempo. No dia-a-dia, situações diversas apresentam-se para as pessoas, que, normalmente, até que conseguimos nos adaptar a elas- na definição original de estresse- o corpo nos prepara para lutar ou fugir quando ameaçados-. O problema é quando ele se torna excessivo, supera a nossa capacidade de adaptação ou quando ele persiste por muito tempo. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função.E nem percebemos, justamente pela"correria desenfreada", mesmo que o próprio corpo sempre nos avise que as coisas não vão e nem estão bem...não tem jeito, como dito, ou procuramos ajuda por si só , sem medo disso ou aquilo, , ou a melhor coisa mesmo, é sem maiores "delongas" agir como se "nadinha" estivesse se passando ao largo, o "fui". só assim para termos uma estrutura emocional segura, forte e sem medo de enfrentar situações inesperadas e encarar a vida de forma preciosa e feliz, sempre!
    Agradecido pela visita
    Belo final de semana
    Beijos

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  5. Oi Tais.
    Sua cronica chegou sem dúvida como um alerta. É verdade o stress está virando moda, e a gente acaba não dando tanta importância, mas é algo muito sério. Eu já tive crise de gastrite de fundo nervoso, e agora estou me cuidando,como você falou, chutando o balde.Não dá pra levar tudo tão a serio. Eu e meu marido estamos aos poucos trocando a cidade pelo campo ou roça mesmo. Um cantinho com o conforto da cidade mas sem o stress e está fazendo uma grande diferença na nossa qualidade de vida. Ainda temos dois filhos solteiros, mas por serem maiores de idade,dá pra gente contornar a situação. Claro que a pessoa tem que gostar do campo, tem gente que odeia, neste caso
    também, não será solução. Eu adoro. Temos que fazer as coisas que gostamos de fazer e deixar de querer agradar ao mundo e esquecermos de nós mesmos. A vida passa muito rápido, e quando vamos perceber já se foram os melhores anos, é quando notamos que os vivemos em função da sociedade ,sacrificando nossa própria vontade.
    Gostei muito da cronica Taís. Você, sempre, escreve de forma clara, que a gente lê com prazer. Uma prosa boa, deixando a gente à vontade. Parece que estamos conversando pessoalmente.
    .
    Obrigada Tais.
    Um abraço

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  6. Antes de dizer FUI, quero dizer que concordo com a sua avaliação.......quando chegamos
    a esse ponto....., estamos a ficar...'É loucos....'
    Essa história de gente que tira o herpes é mesmo real ????.......Valha-me Deus....
    Beijo

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  7. Olá querida amiga Tais Luso, cá tou eu na minha cadeira cativa deste blog, não precisa repetir, mas é ótimo ler por aqui...adorei tua escpada para o canto da loja enquanto tua amiga queria salvar o rapaz rs (muito bom)...daí lembrei de umas conversas que tenho com uma colega, meio zen, e ela fala muito disso, que as questões emocionais acabam provocando erupções na pele, nada mais são que as disfunções internas,m provocadas em grande parte por situações não físocas, mas externas, o que acabamos por chamar stress. Teu texto é muito bom, também, no sentido de buscar uma forma de ver o que estamos sentido e não localizando de onde vem (quase divaguei rs...)
    Como é sugerido no texto, o bom quando acontece algo assim, que vai nos indispoor. baixar o astral, ou pior estressar, que tal chutar o balde, e partir por uma caminho como o lindo caminho que ilustra esta crônica. Sra. Luso, cada vez mais encantado com seu olhar sobre as coisas, sobre os problemas de nossas vidas, não só a sua. Muito bom estar aqui...
    ps. Meu carinho meu respeito e meu abraço.

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  8. Taís, eu também tenho aprendido (antes tarde do que nunca) a dizer não à muitas situações e, confessando o meu lado egoísta, ultimamente, tenho fugido de pessoas que despejam as suas mazelas sobre mim. Agora sou toda ouvidos, desde que eu também possa dar opiniões, rsrs. E quanto as consequências que a pele sofre devido ao emocional, é impressionante, parece mesmo uma válvula de escape do organismo.

    Beijos

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  9. Tais, a pressão do mundo no qual estamos inseridos é tão sufocante que, nem sequer percebemos, e estamos no mesmo ritmo: cobrando mais e mais dos outros, tentando colocá-los no nosso molde, padronizá-los conforme nosso ponto de referência. O resultado disso é o estresse do que tenta enfiar algo goela abaixo no outro e do outro, porque tem que conter seu impulso de estrangular o primeiro! E assim vamos empurrando a vida, mais do que vivendo...
    Concordo com você quando diz que chutar o balde e dizer um 'fui' por vezes é necessário. Eu mesma faço isso sempre que sinto que preciso de um tempo, inclusive aqui na blogosfera. Melhor acalmar, fazer uma pausa, do que acabar extrapolando meus próprios limites - e invadindo o do outro! Então, para mim, as pausas são exercícios para manutenção de minha sanidade rsrsrs E que siga o mundo, enlouquecido; vou um pouco atrás, mas sorrindo!
    E como já falei demais nesta sua bela crônica, só me resta seguir sua dica: FUI!
    Beijão, bom findi.

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  10. Olá Tais,

    Achei graça na atitude de sua amiga. Bem invasiva mesmo. Imagine o 'cara', já constrangido com a herpes labial, e uma estranha ameaçando dar-lhe 'um passe' em plena loja de artesanato-rsrs.
    Este negócio de estresse é coisa séria mesmo e muitas vezes é realmente sinalizado através da pele. Já tive esta comprovação e não gostei 'nadica de nada'. Tomei pavor do tal estresse. É difícil fugir dele, por mais que se tente. Haja meditação e yoga! Tenho uma enorme dificuldade em 'chutar' o balde, embora isto seja o meu sonho de consumo. Mas eu ainda aprendo. Quem sabe com uma boa terapia?-rsrs

    Gostei demais da crônica. Você sempre nos oferece uma agradável leitura.

    Ótimo final de semana.

    Beijo.

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  11. Mas seria pior se ela saísse correndo com medo do contagio... não???
    boa tarde...bjs.

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  12. Ficamos ainda mais estressados porque temos dificuldade de pronunciar aquela palavrinha: NÃO! E vamos colaborando com terceiros, ajudando-os a conviver com suas neuras, esquecendo-nos de quem é importante para que tenhamos uma vida saudável, nós mesmos.
    Sua amiga foi bem intencionada, mas deixou o rapaz constrangido, certamente. (rss). Bjs.

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  13. Parece que ser estressado otorga prestigio, mas agora suficiente para mim. Bastante barulho e confusao trazer o rio da vida com as suas mares, seus altos e baixos, seus tormentas e tempestades... agora eu quero me escolher. Eu cumpri tudo, agora quero paz... se trata de um processo de aprendizado, leva tempo. O precioso tempo me ensinou priorizarme, hoje vivo muito tranquila (menos nestes dias, onde tudo e um pouco confuso rsrs).
    Adoro a forma como usted escreve, sua visao sensivel, seu mirada divertida e logica ao mesmo tempo.
    Saudacoes *:)

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  14. Um olhar perfeito sobre o cotidiano de todos nós.
    Esta caixa de engrenagens que precisa ser untada para rodar suave, anda mesmo esquecida neste tempo do mate um leão ou morra esmagado pelo concorrente. Numa total falta amor aos animais.
    E já se declarou como a doença do século e pouco se faz ou nada se faz para este estresse geral.
    Muito boa sua cronica Tais nesta bela partilha.
    Mas me segreda uma coisa: a colega curou a herpes do rapaz? rsrs.
    Um abração amiga e bela semana de paz e muita luz.

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  15. o mundo moderno nos dá de presente muitas doenças, as quais muitas somos nós os culpados. Porém nem percebemos.O corpo grita por socorro,mas não temos tempo de nos olharmos ou nem nos enxergamos.A palavra " NÂO" seria a solução, não para tudo, mas seria uma grande melhoria para nós se a usássemos com mais frequência.O estresse está aí, convivendo conosco, precisamos encontrar uma maneira de fugirmos dele, e aí, cabe bem a palavra:-FUI! Grande beijo!

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  16. Poxa... Seu texto calou fundo. Eu tenho esse problema de pele Tais e já me acostumei, o medico alguns anos disse que era de fundo emocional e já sentenciou não tem cura, já que ninguém consegue viver sem estresse (ou consegue?). Ainda agorinha passei meu cotidiano creminho no rosto, se pudesse passar na alma. Costumo dizer que lá em casa não podem faltar: água gelada, queijo qualho e Quadriderm, rs... Não acostumamos ao estresse, panelas de pressão ambulantes. Ótimo texto, gostei!

    http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/

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  17. Tais, às vezes eu acho que o ser humano tende a dar nós muito mais facilmente do que desfazê-los. Isso ultimamente, já que desaprendemos muito como viver bem. Sabia que o monóxido de carbono se liga 250 vezes mais facilmente à hemoglobina do que o oxigênio, que é JUSTAMENTE o que a gente precisa? Pois bem. O humano tá assim. Se ligando muito mais facilmente a seus problemas do que a sua paz.

    Belíssimo texto, reflexão ótima a se fazer.

    Beijo!

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    1. Grande abraço e meu carinho aos amigos...

      CLAU
      CHICA
      JAIRCLOPES
      FELISBERTO JUNIOR
      LOURDINHA VILELA
      ANDRADARTE
      JAIR MACHADO RODRIGUES
      NÉIA LAMBERT
      SUZY RHODEN
      VERA LÚCIA
      ZININHA
      MARILENE
      CAROLINA
      TONINHO
      MARLI BOLDORI
      FÁBIO MURILO
      LUIS FELLIPE ALVES

      Muito obrigada pelos comentários!

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Taís Luso